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Hoje caos, amanhã estrela





 " Há em mim uma inquietude,
uma espécie de caos particular,
 Ah quem dera fosse eu minha própria voz
 Para a mim mesma acalmar.
Hoje acordei tempestade
Amanhã estrela ou quasar.
Hoje não sou a voz que grita
E amanhã, decerto, não serei eu a calar."

J.L Cesar

Na gaiola do espaço-tempo- Dois excelentes textos filosóficos para o final de semana




De vez em quando encontramos alguns textos que parecem nos transportar para uma realidade diferente, geralmente são textos que nos remetem a grande necessidade de uma reflexão mais profunda, mais filosófica e normalmente transformadora. Afinal, após sua leitura, não há como se afirmar ser ainda o mesmo de outrora.

O primeiro texto, publicado em Outubro de 2011 no site Dharmalog, é O que acontece quando morremos? O tempo simplesmente reinicia. Uma tradução do texto original What Happens When You Die? Evidence Suggests Time Simply Reboots, do biocientista americano Robert Lanza


“O mistério da vida e da morte não pode ser examinado visitando Galápagos ou olhando em um microscópio. É mais profundo. Se você remover tudo do espaço, o que sobra? Nada. A mesma coisa se aplica ao tempo – você não pode colocá-lo numa jarra. Você não pode ver através do osso que envolve seu cérebro (tudo que experimentamos é informação em nossa mente). O Biocentrismo nos diz que o espaço e o tempo não são objetos – são as ferramentas da mente para fazer tudo acontecer."(CONTINUE LENDO...)

O segundo texto, publicado recentemente no blog parceiro Intratesta, recebe o título de A Fuga de Adão. De autoria do próprio blog, o texto traz em sua estrutura citações de Nietzsche e um diálogo cheio de simbolismo entre o homem e um demônio. Veja um trecho:

"O Homem tentando fugir de seu passado selvagem, se escondendo da natureza em gigantescas construções de concreto, cobrindo-se com malhas e tecidos para esconder a vergonha que apenas se tornou vergonha por seu próprio delírio. Subjugando animais mais fracos para que possam se sentir grandiosos, mas mesmo assim JAMAIS existiu um só homem que criasse algo e/ou vivesse de uma forma que não a natural de sua espécie. Tudo é natural."(CONTINUE LENDO...)

O que os textos trazem em comum? Suponho que uma boa leitura dos mesmos deixará bem clara a resposta. A linguagem filosófica, porém clara e objetiva, torna a profundidade dos textos compreensível e a leitura extremamente válida. Não deixem de ler.

Por que não paramos de pensar em nossos medos?

O Grito- Edvard Munch



Para o psicólogo clínico, bacharel e mestre em Filosofia Daniel Grandinetti, o fato de desejarmos profundamente aquilo que tememos, embora desconcertante, é o verdadeiro motivo por trás desse "costume".
Para entender melhor leia o texto intitulado Por que não conseguimos parar de pensar em nossos Medos, de Daniel Grandinetti.

Quando Freud propôs o conceito de ‘pulsão de morte’, muitos o questionaram, inclusive psicanalistas. Será que todos nós temos mesmo um desejo inconsciente de morrer? Na verdade, a ‘pulsão de morte’ é uma idéia muito simples - e verdadeira. O desejo de viver e se realizar na vida encontra muitos obstáculos na própria vida. A vida é cheia de frustrações que impedem que a vida dentro de nós se realize plenamente. Frente a isso, a mente entra em contradição: Se a vida é um obstáculo à própria vida, então é preciso acabar com a vida para que a vida se realize. Dessa forma, a pulsão de morte não representa nada mais que uma forma da pulsão de vida, e vice-versa. Afinal de contas, porque alguém desejaria morrer senão para acabar com todo o sofrimento e os obstáculos que impedem a realização do desejo de viver?
Mas, a contradição vai ainda mais longe: Se por um lado a pulsão de morte é uma das formas da pulsão de vida, por outro entra em conflito com ela. Se os obstáculos da vida tornam a vida difícil, a morte torna a vida simplesmente impossível. Assim, a contradição entre pulsão de vida e pulsão de morte faz com que o desejo de morrer apareça geralmente na consciência como medo da morte. O desejo de morrer representa uma ameaça ao desejo de viver; e como o desejo de viver é preponderante, o desejo de morrer se torna consciente como medo de morrer. Não é à toa que as pessoas mais extrovertidas e mais cheias de vida sejam também aquelas que, geralmente, mais pensam na morte e sentem medo dela. 

O mesmo ocorre com outros medos. O medo de ser traído pelo parceiro amoroso é um bom exemplo. A solidão e o desamparo que nunca deixam de estar presentes mesmo nos relacionamentos amorosos mais perfeitos faz com que o relacionamento se torne um obstáculo ao próprio relacionamento - ou um obstáculo à realização daquele relacionamento ideal e perfeito que todos desejam, mas que não existe na realidade. E o conseqüente desejo contraditório de acabar com o relacionamento para que o próprio relacionamento se realize, quando não é devidamente reconhecido como tal, acaba sendo projetado no parceiro como um desejo dele em nos trair e acabar com tudo. O medo, nesses casos, pode ser tão grande e se tornar tão real, que é a própria pessoa quem acaba traindo o parceiro - antes que ele possa fazer o mesmo com ela. É o desejo de se relacionar que, em contradição consigo mesmo, acaba com o relacionamento que deveria realizá-lo. 

O fato de que nós desejamos profundamente tudo o que tememos pode ser deveras desconcertante. Em alguns casos, esse fato é evidente. A maioria das pessoas consegue ter plena clareza de que seu medo de alturas se deve ao desejo irresistível de se atirar em queda livre. O medo é conseqüência da luta contra o desejo de pular e da contradição dele com o desejo de permanecer em terra firme. Outras pessoas também conseguem ter consciência clara de que o medo que sentem de falar em publico e se expor é, no mínimo, proporcional ao desejo de falar e se exibir. Mas, o que dizer do medo de se ferir, física e emocionalmente, ou do medo de fracassar? O que dizer do medo de ver nossos maiores sonhos ruir, ou de perdermos as pessoas que nos são mais queridas? Nesses casos, geralmente as coisas não são fáceis. O mais difícil é responder a questão: Por que eu seria capaz de desejar tudo isso? Muitas vezes, encontrar uma resposta a essa pergunta exige um grande esforço analítico, e faz necessário o auxílio de um psicólogo. 

Quanto maior é nosso medo e nosso desejo de não pensar nele, com mais força ele insiste em aparecer na nossa cabeça. Pois, quanto maior o medo, maior o desejo inconsciente de que ele se realize, e um desejo insatisfeito nunca nos deixa em paz. 



Gostou? Veja mais na página Psicologia no Cotidiano, local de onde este texto.
A página pertence ao psicólogo clínico e mestre em Filosofia em Minas Gerais, Daniel Grandinetti (contato: dgrs1977@gmail.com) que, gentilmente, autorizou a sua reprodução.


O que é a roda da fortuna se não o fluxo e refluxo da vida


"Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, o ritmo é a compensação"
(5ª Lei Hrmética)


Quando observamos a imagem que ilustra o décimo arcano maior do tarot, estamos olhando, na realidade, para o verdadeiro rítmo em que se dão os eventos da vida. 
Ascensão e queda são faces de uma mesma moeda, trabalhando na construção de um evento ainda maior chamado existência. A imobilidade  não se constitui em uma escolha possível, visto que o dinamismo da própria vida impele ao movimento.
Quando observamos a postura daquele que está em posição de subida, vemos refletida nele a força de vontade, o motor propulsor que impulsiona a subida. Aquele que já se encontra em posição privilegiada, em plena ascensão ostenta o orgulho de sua conquista, mas não deve esquecer que a roda sempre gira e sempre haverá de girar. Por outro lado, aquele em declínio que apresenta em sua face a mascara do desespero, não deve carregar consigo preocupação maior do que o tempo em que permanecerá em tal situação, visto que mesmo que dure, ainda assim haverá de passar.


Por Jamile Leidiane

Do menor para o maior





Isto é a representação gráfica de um vírus bacteriófago. Os bacteriófagos são vírus de DNA ou RNA que afetam apenas seres procariotos, como por exemplo a bactéria Escherichia Coli. Para estes diminutos vírus, uma bactéria é um universo.









Esta é a Escherichia Coli, também conhecida como E.Coli. Ela é uma bactéria Gram-negativa da família Enterobacteriaceae. Descoberta em 1885 por Theodor Escherich, ela habita (em regime simbiótico) o intestino humano. Para a Escherichia Coli, o intestino humano é o seu universo.







Este é o Homo sapiens, a única espécie animal de primata bípede ainda existente no planeta. Acredita-se que a sua origem foi a 200 mil anos, no continente africano. Desde então, se espalharam por todo o planeta e desenvolveram uma excelente capacidade intelectual e cognitiva, a ponto de entender que além da terra existe o universo. Para o Homo sapiens o universo é o seu universo.






"O que está em cima é como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima"
(Segunda Lei Hermética)

Descartes e o ceticismo metodológico





Fecharei agora os olhos, tamparei meus ouvidos, desviar-me-ei de todos os meus sentidos, apagarei mesmo de meu pensamento todas as imagens de coisas corporais, ou, ao menos, uma vez que mal se pode fazê-lo, reputá-las-ei como vãs e como falsas; e assim, entretendo-me apenas comigo mesmo e considerando meu interior, empreenderei tornar-me pouco a pouco mais conhecido e mais familiar a mim mesmo. Sou uma coisa que pensa, isto é, que duvida, que afirma, que nega, que conhece poucas coisas, que ignora muitas, que ama, que odeia, que quer e não quer, que também imagina o que sente. Pois, assim como notei acima, conquanto as coisas que sinto e imagino não sejam talvez absolutamente nada fora de mim e nelas mesmas, estou, entretanto, certo de que essas maneiras de pensar, que chamo sentimentos e imaginações somente na medida em que são maneiras de pensar, residem e se encontram certamente em mim. E neste pouco que acabo de dizer creio ter relatado tudo o que sei verdadeiramente, ou, pelo menos, tudo o que até aqui notei que sabia.
(Discurso do Método- Segunda Parte)



Nascido em 1596, Renê Descartes (ou Renatus Cartesius) foi um dos grandes físicos, matemáticos e filósofos da sua época. Fundador do método cartesiano e da fusão entre a álgebra e a geometria, apesar de racionalista, elaborou e expôs um dos métodos que considero como extremamente importante para o desenvolvimento do pensar individual. Trata-se de um método denominado Ceticismo Metodólógico, extremamente expresso em sua obra Discurso do Método ( O qual considero de extremo pesar que não esteja inserido no plano de estudos das escolas do nosso país)


O Ceticismo Metodológico consiste, basicamente, em não aceitar como verdadeiras e incontestáveis as conhecidas "verdades prontas", ou seja: aquelas que nos foram transmitidas como certas mas que não foram testadas como tal e portanto, passíveis de dúvidas. 

Talvez, explicando a grosso modo, fique um pouco complicado compreender a lógica de Descartes, mas em suma, o que ele vivia dizendo era que não devemos simplesmente aceitar as coisas como verdades incontestáveis, sem que antes as submetamos a prova e obtenhamos nossos resultados próprios. Não adianta que todos digam que é verdade, que é assim que as coisas funcionam, eu preciso testar, ter certeza por mim mesmo, e só então poderei dar aquilo como certo também. 
É Descartes o autor da máxima Penso, Logo existo!, pois em suas meditações metafísicas, esta foi a primeira verdade que ele teve como certa através do raciocínio próprio, seguido de outras conclusões as quais chegou através do seu método.