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Documentário REQUIEM FOR THE AMERICAN DREAM


Requiem for the american dream

     Ativista político, filósofo e cientista cognitivo,Chosmky é reconhecido também pelo seu excelente trabalho como linguista, sendo reconhecido como o pai da linguística moderna. Mas sua atuação não se restringe ao campo da linguagem, estendendo-se à política também. Em REQUIEM FOR THE AMERICAN DREAM, em aproximadamente uma hora e quinze minutos, Chomsky faz duras críticas e profundas análises a cerca da concentração de riqueza e poder dentro da sociedade atual.
Quem ainda não assistiu, aconselho que assista. Disponibilizei aqui no Mural Filosófico, mas o mesmo também se encontra disponível no Netflix.

Morre Zygmunt Bauman, o criador do conceito de modernidade liquida.

Quem foi Zygmunt Bauman


Falecido na última Quarta-feira (9), em Leeds, na Inglaterra, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman deixa um legado de mais de cinquenta obras recheadas de pensamentos e novo conceitos a acerca de temas como consumismo, globalização e relações humanas.

Definido pelo jornal El País como um homem que falava devagar porque lapidava cada uma de suas frases, um fio de ideias que daria para mais livros do que assinou em sua prolífica carreira. Bauman nos presenteou com profundas análises sobre as transformações sofridas pela sociedade pós moderna, definindo o conceito de modernidade liquida.

Neste vídeo de um entrevista concedida por ele ao programa Milênio, do canal Globo News, o autor explica um pouco o conceito.



Boa parte das obras de Bauman foram traduzidas para o português, mas nem sempre é fácil encontrar seus livros para download.
Entretanto, para quem tem interesse em conhecer melhor o conceito de modernidade liquida, é possível ter acesso online ao livro aqui.

Abaixo, veja algumas das principais citações do autor.

“Numa sociedade sinóptica de viciados em comprar/assistir, os pobres não podem desviar os olhos; não há mais para onde olhar. Quanto maior a liberdade na tela e quanto mais sedutoras as tentações que emanam das vitrines, e mais profundo o sentido da realidade empobrecida, tanto mais irresistível se torna o desejo de experimentar, ainda que por um momento fugaz, o êxtase da escolha. Quanto mais escolha parecem ter os ricos, tanto mais a vida sem escolha parece insuportável para nós.”
(Do livro Modernidade Liquida)



“Na hierarquia herdada dos valores reconhecidos, a ‘síndrome consumista’ destronou a duração, promoveu a transitoriedade e colocou o valor da novidade acima do valor da permanência.”
                                                                                                                            (Do livro Vida Liquida)





"Em nosso mundo de furiosa individualização, os relacionamentos são bençãos ambíguas. Oscilam entre o sonho e o pesadelo, e não há como determinar quando um se transforma no outro. Na maior parte do tempo, esses dois avatares coabitam - embora em diferentes níveis de consciência. No líquido cenário da vida moderna, os relacionamentos talvez sejam os representantes mais comuns, agudos, perturbadores e profundamente sentidos da ambivalência."
                                                                                                                           (Do livro Vida Liquida)  

George Monbiot: Para mais maravilhas, retornem à vida selvagem



Um dia lobos foram nativos no Parque Nacional de Yellowstone nos Estados Unidos — até que a caça acabou com eles. Mas em 1995, quando os lobos começaram a voltar (graças a um programa de administração agressivo), algo interessante aconteceu: o resto do parque começou a encontrar um novo equilíbrio mais cheio de saúde. Em uma ousada experiência de pensamento, George Monbiot imagina um mundo mais selvagem onde seres humanos trabalham para restaurar as cadeias alimentares complexas perdidas que um dia estavam ao nosso redor.


Em uma excelente palestra oferecida via TED, o escritor, jornalista e ambientalista George Monbiot aborda uma temática pouco explorada e compreendida, mas plausível e digna de reflexão, principalmente em um mundo globalizado e industrializado que abriga atualmente mais de 7 bilhões de pessoas.
A maior prova de que suas ideias ousadas merecem no mínimo uma reflexão mais profunda está no aumento significativo dos casos de depressão (sugestão de leitura Depressão- O mal da modernidade), além da inegável insustentabilidade ambiental atual.

Veja, abaixo, a palestra completa (com legendas em português)


Sobre a morte e o morrer- Por Rubem Alves



Psicanalista, educador, teólogo e escritor, o brasileiro Rubem Alves nos traz este valoroso ensaio, onde a problemática da morte é abordada de um ponto de vista único e existencial. Rubem Alves morreu 11 anos após a publicação deste texto, mas suas obras continuam e com certeza continuarão ecoando pelos confins do tempo.





O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
um ser humano? O que e quem a define?


Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...

Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.

Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”

Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”

Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.

Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".

Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.

Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.

Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?

Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.

Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".

Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.

Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.




Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12-10-03. fls 3.

A moral é uma forma de melhoramento humano? Nietzsche responde

Retrato de Friedrich Nietzsche por E. Munch


As palavras abaixo pertencem ao livro Crepúsculo dos Ídolos de Nietzsche, neste trecho é possível ver a sua opinião com relação ao que ele chama de melhoramento da raça humana, a polidez que a sociedade (Igreja, estado, família...) constrói em cada indivíduo.

Em todos os tempos quis-se "melhorar" os homens: este anseio antes de tudo chamava-se moral. Mas sob a mesma palavra escondem-se todas as tendências mais diversas. Tanto a domesticação da besta humana quanto a criação de um determinado gênero de homem foi chamada "melhoramento": somente estes termos zoológicos expressam realidades. Realidades das quais com certeza o sacerdote, o típico "melhorador", nada sabe - nada quer saber... Chamar a domesticação de um animal seu "melhoramento" soa, para nós, quase como uma piada. Quem sabe o que acontece nos amestramentos em geral duvida de que a besta seja aí mesmo "melhorada". Ela é enfraquecida, tornam-na menos nociva, ela se transforma em uma besta doentia através do afeto depressivo do medo, através do sofrimento, através das chagas, através da fome. - Com os homens domesticados que os sacerdotes "melhoram" não se passa nada de diferente. Na baixa Idade Média, onde de fato a igreja era antes de tudo um amestramento, caçava-se por toda parte os mais belos exemplares das "bestas louras". "Melhoravam-se", por exemplo, os nobres alemães. Mas com o que se parecia em seguida um tal alemão "melhorado", seduzido para o interior do claustro? Com uma caricatura do homem, com um aborto. Ele tinha se tornado um "pecador", ele estava em uma jaula, tinham-no encarcerado entre puros conceitos apavorantes... Aí jazia ele, doente, miserável, malévolo para consigo mesmo; cheio de ódio contra os impulsos à vida, cheio de suspeita contra tudo que ainda era forte e venturoso. Resumindo, um "Cristão"... Fisiologicamente falando: o único meio de enfraquecer a besta em meio à luta contra ela pode ser adoecê-la. A igreja compreendeu isso: ela perverteu o homem, ela o tornou fraco, mas pretendeu tê-lo "melhorado"...


Nietzsche- Crepúsculo dos Ídolos