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Caronte, do inferno ao céu.

 La barca de Caronte- Por Jose Benlliure Gil



Caronte, na mitologia grego-romana, é o barqueiro do submundo, responsável por transportar para o mundo dos mortos, as almas daqueles que haviam acabado de morrer. O trajeto era feito através dos rios Estige e Aqueronte, que serviam como divisa entre o mundo dos vivos  e o dos mortos. 
A moeda era um  pequeno suborno para agradá-lo a fim de que não se negasse a fazer a importante travessia. Ela deveria estar junto ao morto e caso não estivesse, ele vagaria por cem anos sem que fosse transportado ao seu devido lugar.
Antigamente, Caronte era retratado como um homem velho com feições graves e sisudas, como podemos ver na pintura de Alexander Litovchenko  e na ilustração de Gustave Doré (Feita para ilustrar A Divina Comédia)
Caronte, por Alexander Dmitrievich Litovchenko
Caronte, por Doré
Mas com o tempo e os avanços tecnológicos no ramo das imagens, Caronte passou a ser retratado das mais variadas formas.
Mas como Caronte foi parar no céu?

Satélites de Plutão
Após a introdução da mitologia grega na cultura romana, alguns dos personagens que na primeira eram conhecidos por um nome ganharam outras denominações após sofrerem a influência romana. Assim, alguns personagens como Hermes, Zeus e Hades, por exemplo, passaram a ser conhecidos como Mercúrio, Júpiter e Plutão. Como o passar dos anos, os astros, seus satélites e as constelações começaram a ser batizados com os nomes dos deuses da mitologia greco-romana (principal influência do pensamento ocidental), tendo como critério algumas correspondências, como por exemplo o planeta Mercúrio que ganhou este nome devido a sua rápida translação, se assemelhando muito ao veloz mensageiro dos deuses. 
 Assim, não fica difícil entender por que Plutão, ùltimo planeta (rebaixado a classe de plutóide em 2006), frio, distante e isolado na divisa entre o sistema solar e o espaço aberto, ganhou o nome do deus grego do submundo (Inferno), tendo como companhia quatro satélites, dentre eles Cérberus (Cão de três cabeças que protegia os portões do submundo) e Caronte, o barqueiro.




Vulcano e Cerberus, novas luas de Plutão

Vulcano e Cerberus, novas luas de Plutão

 Recentemente descobertas, as novas luas de Plutão (denominadas inicialmente P4 e P5), poderão ser batizadas como Vulcano e Cerberus. 
 Durante duas semanas pessoas do mundo inteiro escolheram entre uma lista de nomes propostas em uma votação aberta pelo projeto SETI, e os nomes vencedores foram bastante interessantes. O primeiro; Vulcano, é uma homenagem ao planeta natal do Capitão Spock, da série Star Trek. E o segundo é o nome do cão guardião das portas do inferno, cujo reino está sob os domínios do deus Plutão. 
Capitão Spock

Hercules e Cerberus, por Francisco Zurbarán














No entanto as duas luas ainda não foram batizadas definitivamente, pois faz-se necessário o reconhecimento do União Astronômica Internacional, que está analisando os resultados.


Fonte: Mistérios do Mundo e Instituto SETI

A história da Ursa Maior e Ursa Menor

 Duas das constelações mais fáceis de se encontrar no céu noturno, são as constelações de Ursa Maior e Ursa Menor. Considero que depois de Órion e Gêmeos, é talvez a que possui uma das histórias mais bonitas também.
Ursa Maior
Tudo começou com Calisto (Sim, a mesma que dá nome a uma das luas de Júpiter, que era o equivalente romano para o deus grego Zeus)
 Calisto foi uma das ninfas favoritas de Artemis. Como toda boa seguidora, mantinha a virgindade e praticava, regularmente, das caçadas promovidas pela deusa. De tão bem devotada a essas atividades, logo caiu nas graças de Artemis, que a tinha na mais alta conta. O que Calisto não sabia era que enquanto vivia sua vida tranquila, Zeus caia, a cada dia mais, de amores por ela. Passando, a partir de então a investir sobre ela, com muita frequência. Porém, Artemis sempre era categórica em repelir os impulsos do deus, se mantendo virgem e pura, dentro do que era esperado de sua condição.
 Porém, um belo dia, Zeus em seu ápice de astúcia, se disfarça de Artemis para se aproximar da ninfa, que recorrendo a este engano acaba dando espaço para que o deus persuadi-la a lhe ceder sua virgindade.
 Desta relação, Calisto sai grávida e embora faça de tudo para esconder o seu atual estado, acaba sendo descoberta pelas outras ninfas que, invejando a sua condição de favorita de Artemis, logo contaram a novidade a deusa. Artemis então expulsa Calisto do grupo, e a jovem, não vendo mais solução para a sua condição segue o seu rumo sozinha.
Ursa Menor
 Após algum tempo, Hera (Esposa de Zeus) descobre mais esta infidelidade do marido, e acaba lançando a sua vingança, fazendo com que Calisto, após dar a luz ao seu filho, se transforme em uma grande ursa. Hermes, ao ver que a criança havia sido deixada ao relento, leva-a para sua mãe Maia, de quem ele recebe o nome de Arcas.
Arcas cresce e se torna um grande caçador, e em uma de suas caçadas cruza o seu caminho com o de sua mãe Calisto, que mesmo transformada em ursa, ainda mantem a consciência humana, e ao vê-lo tenta se aproximar do seu amado filho. Porém, Arcas não a reconhecendo, empunha o seu arco e se prepara para disparar a sua flexa certeira e mortal. Zeus, querendo evitar uma tragédia, no último instante transforma Calisto e Arcas em duas brilhantes constelações que são as constelações de Ursa Maior e Ursa Menor.
Zeus (Ou Júpiter) e Calisto, por François Boucher



Castor e Pólux- Do mito para o céu

Castor e Pólux- Do mito para o céu

Com certeza você ja deve ter ouvido falar na constelação de Gêmeos, visível bem próxima a constelação de Órion. Esta constelação é encabeçada pelas brilhantes estrelas chamadas de Castor e Pólux, cada uma representado a cabeça de um dos gêmeos.














O que talvez nem todos saibam, é a história que está por trás desta constelação. E esta, vou contar agora:


Castor e Pólux eram irmãos gêmeos, filhos de Leda. Embora tivessem esta peculiaridade,
eram filhos de pais diferentes. O último era filho de Júpiter e o primeiro, filho de Tíndaro, rei de
Esparta e pai putativo de ambos. Pólux, sendo filho de um deus, fora agraciado com o dom
divino da imortalidade, enquanto Castor permaneceu um simples mortal. Castor adorava cavalos,
enquanto Pólux era mais afeito às artes do atletismo. Os dois eram inseparáveis, E desde meninos
estavam sempre metidos em aventuras, exercitando sem cessar a sua força e agilidade.
Um dia, quando iam em visita a Messena, pátria vizinha de Esparta, viram passear pelos
campos duas belas jovens. Castor, mais afoito, cutucou o ombro do irmão.
— Veja, Pólux, que lindas jovens!
Pólux, que também as estivera observando, franziu bem os olhos:
— De fato, caro irmão, são as mais belas moças que meus olhos já viram.
— Vamos conversar com elas.
Como iam montados em seus cavalos, logo estavam na presença das duas moças.
Aproximaram-se tanto que a respiração dos cavalos fazia agitar as vestes curtas e vaporosas das
duas moças, que com as mãos tentavam a todo instante evitar que elas subissem em demasia.
Uma delas, parecendo a mais decidida, encarou os dois e perguntou:
— Quem são vocês e o que querem aqui?
— Somos Castor e Pólux, da vizinha Esparta... — disse Castor.
— ... e estamos encantados com a beleza de vocês — completou Pólux.
— Como você se chama? — perguntou Castor à primeira.
— Febe é meu nome — disse ela, afastando o cabelo dos olhos.
— E você, linda jovem? — disse Pólux à segunda.
— Hilária — disse ela, erguendo a alça da túnica, que se desprendera do ombro.
Com palavras amenas e sorrisos simpáticos os dois irmãos tentaram espichar a conversa,
cada vez mais encantados com as duas. Hilária, porém, percebendo que as coisas marchavam no
rumo de um possível namoro, atalhou a conversa.
— Os dois irão nos desculpar, mas devemos ir embora, pois nossos noivos nos
aguardam.
Sem ouvir mais nada, Hilária pegou a mão da irmã e afastaram-se, deixando os dois ali
boquiabertos.
— Ora essa, são noivas... — disse Castor, contrariado.
— ... de dois idiotas, por certo! — completou Pólux.
Deviam ser idiotas, raciocinaram ambos, pois como podiam deixar que suas duas belas
noivas andassem sozinhas pelos campos, naqueles trajes curtos e provocantes?
Pólux, esporeando com força seu cavalo, saiu-lhes no encalço, até emparelhar novamente
com as duas. Hilária e Febe, contudo, desta vez não pararam.
— Que noivos são esses, que as deixam assim soltas pelos campos?... — perguntou
Castor a elas, juntando-se logo com seu cavalo ao grupo reconstituído.
— ... e por que cometem tal temeridade? — ajuntou Pólux.
— Eles estão muito atarefados e não podem estar sempre ao nosso lado -disse Febe.
— Ah, já sei, são daqueles que dão mais importância ao trabalho e aos afazeres do que às
suas mulheres... — disse Castor, com ironia.
— ... e que depois se queixam por terem sido traídos! — disse Pólux, com um riso franco.
Hilária, sentindo o sangue subir à face, parou de andar e virou o rosto para os dois.
— Nós somos virtuosas o bastante para saber respeitar-lhes a ausência.
— E o resto do mundo, minha graciosa dama, estará também disposto a respeitar-lhes a
ausência?... — disse Castor.
— ... ou julgam eles, em sua inocência, que o mundo seja tão inocente quanto eles?
— Seus noivos deveriam escolher o que é mais importante para eles, afinal...
— Eu, no lugar deles, jamais desgrudaria os olhos de vocês...
— Venha, Febe, vamos embora — disse Hilária, apertando o passo com sua irmã,
confusa com a conversa picotada dos dois irmãos ladinos.
— Ei, esperem!... — disse Pólux.
— ... sim, só queremos conversar! — completou Castor.
Assustadas, as duas resolveram correr pela campina, o que atiçou ainda mais o desejo dos
dois irmãos, pois enquanto as moças fugiam, o vento lhes erguia as vestes quase até a cintura.
— Vamos lá, Pólux!... — disse Castor, disparando numa cavalgada.
— ... é pra já! — gritou Pólux, eufórico.
Montados em seus ágeis cavalos, os dois irmãos sentiam o vento agitar os cabelos
enquanto perseguiam as duas lindas mulheres.
"Deus poderoso, o que pode haver de melhor neste mundo?", pensavam ambos,
enquanto cavalgavam velozmente. O amor não prima muito pela razão por isso mesmo, em
momento algum os dois se perguntaram se a ação que praticavam era justa ou injusta.
— Estas garotas estão precisando de um pouco de emoção! — gritava Castor.
— Sim, veja como fogem, embora com passo lento! — respondia Pólux. Talvez, apenas,
os cavalos fossem mais velozes. De qualquer modo,
Castor logo emparelhou com Hilária, que ofegava no esforço da corrida. O braço forte do
cavaleiro desceu até a cintura da jovem e ergueu-a sem esforço até aconchegá-la ao seu peito. No
esforço de desvencilhar-se dos braços de seu delicado raptor, Hilária perdeu o manto. Mas Castor
foi gentil o suficiente para voltar até onde a túnica de Hilária caíra e juntá-la, sem descer do
cavalo ou abandonar a preciosa presa.
Seu irmão também já tinha na garupa de seu cavalo a assustada Febe, que, temerosa de
cair ao solo, agarrara-se à cintura de seu seqüestrador.
— Calma, não vamos lhes fazer mal!... — disse Castor, procurando acalmar Hilária e sua
irmã.
— Que querem? Cupido nos alvejou, nada podemos fazer! — exclamou o irmão, cujos
olhos brilhavam de prazer ao sentir o corpo de Febe assim colado ao seu.
De repente, porém, atraídos pelos gritos, surgiram os dois noivos das moças raptadas.
Eram Idas e Linceu, dois heróis messênios, que, percebendo a situação, acorreram
imediatamente.
— Larguem as duas, desgraçados! — gritou Idas, possesso.
Os dois também estavam montados e logo encostaram seus cavalos aos dos raptores, que
por levarem peso dobrado cada um não conseguiram escapar por muito tempo à perseguição.
— Nós estamos apaixonados por elas! — disse Castor a Idas. — Como vocês não dão à
beleza delas a mesma importância que nós, resolvemos tomá-las para nós!
— Cale a boca, desgraçado! -disse Linceu.-Devolvam já as nossas noivas ou serão mortos!
Os dois gêmeos, assim afrontados, decidiram apear e enfrentar os seus rivais.
Logo estavam os quatro contendores descidos dos cavalos, enquanto as duas moças
fugiam numa corrida desenfreada pelos campos.
Os dois irmãos atracaram-se numa luta corpo a corpo com Idas e Linceu, e durante um
bom tempo a luta transcorreu sem vantagem visível de parte a parte. Idas, no entanto, vendo que
não poderia vencer a disputa, sacou de um punhal que trazia escondido à cintura e atravessou o
peito de Castor, que caiu ao solo mortalmente ferido.
— Meu irmão! — exclamou Pólux, ao ver seu irmão tombar ensangüentado.
— Este é o preço por sua ousadia! — disse Idas, limpando o ferro em sua túnica.
Pólux, cego de ódio, foi até o seu cavalo e, pegando um dardo afiado, avançou para o
agressor. Antes, porém, que alcançasse o assassino de seu irmão, enterrou o dardo no peito de
Linceu, que pulara à sua frente.
— Maldito, pagará caro por isto! — disse Idas, brandindo o seu punhal, Júpiter, porém,
que a tudo assistia do alto, enfureceu-se com a audácia
daquele mortal que pretendia ferir seu filho Pólux e disparou no mesmo instante um raio
vingador, que reduziu a cinzas o furioso Idas, bem como o cadáver prostrado de Linceu.
Pólux, vendo seu irmão Castor caído ao solo, correu em direção ao seu corpo.
— Castor morto! — exclamou, com o rosto banhado em lágrimas. — Meu irmão, como
poderei viver a partir de agora? Que prazer terei em minhas caçadas sem a sua companhia, irmão
querido?
Durante muito tempo ainda esteve curvado sobre o corpo do irmão, até que, tomando-o
em seus braços, Pólux carregou-o até o Olimpo. Todos os deuses pararam para assistir àquela
cena trágica. Pólux, entrando no salão onde estava o trono celestial de seu pai, postou-se à sua
frente, tendo sempre nos braços o corpo do irmão morto.
— Meu pai, não poderei continuar a viver sem a companhia de meu querido irmão! —
disse Pólux a Júpiter. — Venho aqui para pedir que lhe restitua a vida ou então que cancele a
minha imortalidade, permitindo que eu desça com ele até a morada das sombras. Lá, ao menos,
continuaremos juntos.
— Pólux, seu irmão era mortal, e seu destino não pode ser alterado — disse Júpiter.
— Mas como poderei ser feliz aqui no Olimpo, estando ele apartado de mim, para
sempre nas profundezas do reino de Plutão? Uma imortalidade dessas seria como a morte para
mim.
Júpiter parecia inflexível, mas ao ver a dor do filho, que em momento algum largara o
corpo do irmão, resolveu reconsiderar.
— Está bem, já que deseja compartilhar do destino dele, tenho uma solução — disse
finalmente o pai dos deuses. — Já que você insiste em não se apartar de seu irmão, farei com que
ambos passem metade do ano em meu reino, gozando da imortalidade, e na outra metade irão
habitar o reino das sombras, junto aos mortos, já que meu irmão Plutão não admitiria perder um
súdito que já é seu de direito.
Pólux, que não queria outra coisa senão estar sempre junto de seu irmão, vibrou de
alegria. No mesmo instante, Castor abriu os olhos e os dois se abraçaram, felizes.
— Mas lembrem-se, daqui a seis meses os dois deverão ir habitar o Plutão sombrio —
advertiu-os Júpiter.
— Ótimo! — exclamou Pólux. — Dividiremos assim a morte como dividimos a vida.
Castor, agradecido, abraçou-se novamente ao irmão.
Por fim, de tão bela que foi a história dos dois irmãos, Júpiter ordenou que ela fosse transformada em constelação.



Obs. Em algumas fontes, a história de Castor e Pólux é de origem Grega e portanto Júpiter e Plutão, são substituídos por Zeus e Hades, respectivamente.




O belíssimo mito de Baucis e Filemon




Certa vez, querendo testar a hospitalidade dos humanos, Júpiter decidira descer à Terra e disfarçar-se de mendigo. Chamando Hermes e advertindo-o a deixar suas asas no Olimpo, para que ele não se mostra-se um deus, ambos descem ao mundo dos humanos.

Assim que chegam, ambos dirigem-se a uma casa, e batem em sua porta. Apenas depois de um tempo que estavam lá que em uma janela no alto surge uma pessoa, que logo despacha-os.

Prosseguindo viagem, os deuses chegam à uma casa a qual estava em festa. Recebidos pelo anfitrião, conseguem uma escassa refeição, constituída por ossos e um poucos carne

Tentando controlar sua raiva, Júpiter continua a andar, ainda acompanhado de seu filho. Chegando a uma nova casa, eles batem na porta, esperando uma hospitalidade melhor do que a recebida anteriormente. Porém, depois de baterem repetidamente, uma mulher envolta em lençóis aparece no parapeito da janela, e quando ouve o pedido de Júpiter  em busca de alimento, demonstra sarcasmo e comunica tal pedido ao amante, o qual, chegando também ao parapeito, expulsa-os da porta da casa.

Quase sendo tomados pela exaustão, os deuses chegam à uma pequena casa, que mal parecia agüentar-se em pé. Após bater palmas, pois tinha medo de arrancar a porta, Júpiter  junto de Hermes, é recebido por um velho. Nem bem começaram a falar, ambos foram convidados pelo homem a entrarem.

Assustados com tamanha hospitalidade, os deuses entram na casa, tomando o cuidado para em nada esbarrarem. Filemon, o homem que os receber, logo arruma assentos para os visitantes, e passa a procurar comida para oferecê-los, enquanto sua mulher, Baucis, tentava reacender o fogo da lareira há muito tempo apagado.

Filemon, seguindo as regras impostas por Júpiter  sem saber que abrigava em sua casa o próprio, abre o único vinho que possuía. Após os convidados serem servidos, todos começam a comer. Júpiter pergunta a Filemon se ele não bebia. Fazendo que não, o anfitrião olha para o vinho e, para sua surpresa, constata que a jarra, antes vazia por ter sido servida aos convidados, estava cheia até a borda.*

Relacionando o fato às suas visitas, Filemon logo percebe que tinha, em sua mesa, o deus dos deuses e seu filho. Envergonhado, começa a pedir perdão aos deuses, após comunicar o fato a Baucis e ela também pedir perdão.

Acalmando o casal, Júpiter diz que estava muito satisfeito com a recepção recebida por parte dos velhos, e pede para que os dois os acompanhem. Chegando a um monte no alto da região, Júpiter pergunta-lhes o que era mais desejado por eles. Após discutirem sobre isso, o casal diz não querer sobreviver um à morte do outro.

Assim que falam seu pedido, uma tempestade inunda o vale, levando tudo com suas águas, inclusive a vida dos vários anfitriões que não haviam recebido Júpiter e Hermes. Quando a água atingira a casa de Baucis e Filemon, ambos não viram ela ir embora, mas sim ela tornar-se um majestoso templo. Júpiter chega até eles e diz-lhes que eles seriam os sacerdotes exclusivos daquele templo recém-criado.

Após isso, os dois ainda viveram muitos anos, pois Júpiter os dera uma generosa longevidade, e em meio à fartura do templo. Porém, certo dia, quando estavam à porta do templo, Baucis vê um tufo de folhas surgir no cabelo de Filemon. Assustada, constata que seu corpo também está transformando-se em árvore. Assim, Baucis e Filemon terminaram sua vida mortal juntos, tornando-se duas árvores com seus galhos entrelaçados na porta do templo de Júpiter, eternamente.

O Céu e o Mito (constelações)


Ao olhar o céu a noite e reconhecer algumas constelações, estamos folheando as páginas de um grande livro aberto a toda humanidade, que conta a história dos mitos que criamos através dos tempos. Dentre algumas constelações famosas, está a de mais fácil didentificação no céu de verão: as três Marias. Na realidade esse trio de estrelas brilhantes e alinhadas, nos acompanham e influenciam a nossa visão do céu, a muuuito tempo. Ou você não sabe que as pirâmides de gizé foram construídas na mesma posição, com relação ao rio Nilo, que as três Marias em relação a Via láctea? Claro que os egípcios não conheciam essa constelação pelo mesmo nome que nós a conhecemos hoje, nem os gregos conhecem esse trio de estrelas da mesma forma. Para eles, as três marias fazem parte de uma constelação muito maior que se chamava Órion, o grande caçador.
 Vou tentar contar a história de algumas constelações e não prometo ser imparcial. Para não ser prolixa, falarei apenas das que mais gosto, e nada mais justo que falar logo de Órion, a mais brilhante e fascinante constelação do céu de verão (aqui no hemisfério sul).

Órion
Órion

Órion, o caçador.

  Afinal, quem foi Órion e como ele foi parar no céu?
Na Mitologia Grega representa o herói Órion, grande caçador e amado por Artemis. 
Apolo, irmão de Artemis, por não aprovar o romance entre os dois envia um escorpião para matá-lo. Apolo, então, desafia a pontaria de Artemis, outra grande caçadora, que atinge em cheio seu amado que fugia do escorpião. Percebendo o engano que havia cometido, Artemis, em meio às lágrimas, pediu para Zeus colocar Órion e o Escorpião entre as estrelas.
  E para quem pensa que não conhece esta constelação eu farei apenas uma pergunta; você conhece as três Marias não é? Então! Elas são nada mais, nada menos que o cinturão de Órion. E acredite, o nome delas não é Maria, mas sim ALNILAM, ALNITAK e MINTAKA.



 As Plêiades


 
Constelação das Plêiades

As Plêiades










Estas estrelas também são de fácil localização no céu de verão, e partir do momento em que você aprender a localizar Órion, logo consegue vê-las. As Plêiades são, para a ciência cética, nada mais nada menos que um aglomerado estelar vísível a olho nú, mas para os gregos foram as filhas de Pleione e Atlas (aquele mesmo do mapa. rsrs). Elas foram caçadas por ninguém menos que Órion que as perseguiu por toda a eternidade, sem êxito. Por este motivo, ao localizar a constelação de Órion, basta mover um pouco a cabeça para encontrar as Plêiades, como se ainda hoje fugissem do caçador.

Ursa Maior (e menor também)

Constelação Ursa menor



Representação artística da constelação
Apesar de não ser uma constelação muito conhecida no hemisfério sul, ela tem uma história muito bonita. Segundo a mitologia grega, Zeus apaixonou-se por Calisto, a bela ninfa dos bosques e companheira de Ártemis. Zeus ficou de tal modo fascinado pela sua beleza que, para se aproximar dela, tomou as feições de Ártemis. Calisto acolheu Zeus sem desconfiança, mas quando reconheceu o seu erro já era tarde demais, e concebeu dele um filho, que se chamou Arcas. Hera, esposa de Zeus, ficou furiosa e castigou Calisto, transformando-a numa ursa. Um dia, a irreconhecível Calisto e Arcas encontraram-se. Calisto abriu os braços para acolher o filho mas este, julgando-se atacado pela gigantesca ursa, preparou-se para a matar. À última da hora, Zeus evitou a tragédia e transformou Arcas num pequeno urso, arrastando ambos para os céus. Hera, contudo, empurrou os dois para perto do pólo norte onde as estrelas são sempre visíveis, mãe e filho nunca teriam descanso. Arcturo, a brilhante estrela do Boieiro ficou de guarda às ursas para que não se afastassem do gélido pólo.

Cruzeiro do Sul

Cruzeiro do Sul

Representação na bandeira do Brasil














Para finalizar com chave de ouro, nada mais justo que falar da constelação mais conhecida do céu no hemisfério sul. Se o polo norte tem como sua estrela guia a Polaris, que faz parte da constelação da Ursa Menor, então o polo sul, na falta de um estrela guia, tem a sua constelação guia, a Crux ou Cruzeiro do Sul, que aponta diretamente para o polo Sul.
 Do ponto de vista mitológico, esta constelação não conta nenhuma história, mas do ponto de vista hisórico sim. A Cruzeiro do sul foi muito utilizada como guia durante o período das grandes navegações. Ela foi tão importante para a humanidade, nesse período, que hoje ela está representada na bandeira do nosso (Por favor não diga que você nunca havia reparado.) e de outros países como Austrália, Nova Zelandia, Papua- Nova Guiné e Samoa.