Mostrando postagens com marcador Cultura Contemporânea. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cultura Contemporânea. Mostrar todas as postagens

Padrão da beleza- a grande mudança ao longo dos anos



Os padrões de beleza tendem a se modificar com o contar dos anos, prova disso é o que até o século passado,  ao contrário do que se vê hoje, mulheres com medidas ligeiramente avantajadas eram consideradas mais belas que as mais magras.

Mas o tempo não é a única variável nessa bela equação, o fator cultural também é um importante modelador do conceito de beleza, fazendo com os seios firmes das mulheres de uma tribo hipotética, não se encaixem exatamente no conceito de beleza de uma outra tribo qualquer.
Desta forma, o padrão de beleza é conhecidamente mutável e não representa um modelo universal, sendo afetado pelas mais diversas variáveis sócio-culturais e até mesmo biológicas.

Nestes dois vídeos de Phillip Scott Johnson, são retratadas as mudanças no padrão de beleza das mulheres, apenas a estética da mudança, sem apelo as variáveis por trás do processo.

 No primeiro vídeo é possível acompanhar quinhentos anos de mudanças através das pinturas clássicas que retratam a beleza feminina. No segundo vídeo, por sua vez, mergulhamos no mundo da sétima arte e em todas as mudanças ocorridas neste mesmo padrão desde então.








E como bem sabemos, as mudanças não ocorreram apenas no padrão feminino, mas no masculino também, como mostra este último vídeo, também do mesmo autor.





E você. o que achou? Gostou da mudança?

Cenas do cinema reproduzidas com Lego


Já faz alguns dias que publicamos sobre Fotografias clássicas reproduzidas com Lego, de Mike Stimpson, mas agora é a vez de outro mestre dos Legos reproduzir outros tipos de clássicos; os clássicos do cinema. 
Enquanto a maioria de nós se limitava (ou se limita, quem sabe...) a brincar com as pecinhas de lego e formar abomináveis monstros amorfos ou grotescas e multicoloridas construções arquitetônicas, Alex Eylar vai um pouco mais além. 
Conhecido como mestre #ICanLegoThat (algo como Eu posso fazer isso com Lego), Eylar recria diversas cenas das grandes produções hollywoodianas. Não há um padrão específico, apenas a vontade do próprio Eylar, por isso vemos cenas que vão desde o Casablanca até o contemporâneo Looper. 
Veja abaixo algumas de suas criações.

Laranja Mecânica
Casablanca
Harry Potter
Cidadão Kane

Looper

Pulp Fiction

Star Wars

O Poderoso Chefão

Tres Homens em Conflito
Beleza Americana
A Família Adams
E O Vento Levou
James Bond
O Exorcista
2001- Uma Odisseia No Espaço
Tempos Modernos

O Iluminado





O mito por trás da origem do Apanhador de Sonhos





Reza a lenda que durante um ritual da visão, no topo de uma montanha, o velho índio viu a grande aranha, que conversou com ele na linguagem sagrada. Enquanto conversavam a aranha pegou um aro de cipó, as oferendas que lhes fora deixada e usando sua teia começou a tecer.
Enquanto tecia a grande aranha lhe falava sobre todas as coisas. Falou da vida, da morte, das coisas boas e das coisas ruins também. Falou sobre como elas interferiam em nossas vidas e como mudávamos por causa delas. A grande aranha sabia muito, pois fora ela quem tecera a grande teia que interliga todas as coisas. Foi ela que, no passado longínquo, quando só havia a escuridão, trouxe a luz, o fogo e o Sol para iluminar o povo Ojibwa*.
 Dentre as coisas que ela disse, estava a necessidade de se trabalhar com as forças boas para que, guiado por elas, ele encontrasse a harmonia com a natureza. Caso assim não procedesse, iria ser guiado pelas forças ruins e acabar sofrendo dores e infortúnios.
 Quando terminou de tecer, a grande aranha entregou ao índio o aro que agora continha uma elaborada teia no centro. Ela lhe contou que aquela teia representava o ciclo da vida e que aquele curioso instrumento serviria para ajudar os Ojibwa a fazer bom uso dos seus sonhos e visões. Contou também que os sonhos vinham de um lugar chamado Espírito do Mundo que se
ocupa do ar da noite com sonhos bons e ruins. Ensinou o velho índio como funcionava o objeto lhe dizendo que quando pendurado, enquanto se movia lentamente, era capaz de apanhar os sonhos que flutuavam no ar. Que os sonhos bons sabiam o caminham que deveriam tomar naquela elaborada teia, deslizando pelas penas até alcançar aqueles que dormiam. Já os sonhos ruins ficariam presos, até que os primeiros raios do sol surgissem e levassem-nos embora consigo.
O velho índio agradeceu a grande aranha e voltou para o seu povo, carregando consigo aquilo que batizou como Apanhador de Sonhos.



O Ojibwa ou Chippewa (também Ojibwe, Ojibway, Chippeway) são o terceiro maior grupo de nativos americanos dos Estados Unidos, superado apenas por Cherokee e Navajo.

Fotografias clássicas reproduzidas com Lego.


Como seriam as fotografias mais famosas da história se elas fossem reproduzidas em lego?
 A resposta está no trabalho Classics in Lego do fotógrafo britânico Mike Stimpson que reproduziu mais de cinquenta fotografias clássicas utilizando bonecos de Lego. 
Vejamos algumas:










Poussière d'étoiles - Dança, areia e beleza


Poussière d'étoiles é o nome deste belíssimo trabalho do fotografo francês Ludovic Florent, que aplicando areia ao cenário onde os bailarinos dançavam, conseguiu extrair as fotografias que compõem esta obra.
Em português o nome da obra seria Pó de Estrela, numa alusão perfeita ao apelo visual transmitido em cada uma das fotografias.
Confira:













Conheça mais sobre Ludovic Florent aqui.

O Homem e o Mito- Palávras de José Carlos Mariátegui


 Pesquisando por alguns textos de Marx, você poderá "esbarrar" em uma ou outra referência ao nome de um filósofo latino chamado José Carlos Mariátegui.
 Escritor, filósofo, jornalista e sociólogo, Mariátegui foi um dos mais influentes pensadores (marxistas) do século XX.
 Abaixo um de seus mais notáveis textos. 



O Homem e o Mito 


I
   

Todas as pesquisas da inteligência contemporânea sobre a crise mundial deságuam nesta unânime conclusão: a civilização burguesa sofre da ausência de um mito, de uma fé, de uma esperança. Ausência que e a expressão de sua falência material. A experiência racionalista teve a paradoxal eficiência de conduzir a humanidade à triste convicção de que a Razão não lhe pode oferecer nenhum caminho. O racionalismo serviu apenas para desacreditar a razão. Afirmou Mussolini que os demagogos sufocaram a idéia Liberdade. Mais exato é, sem dúvida, que os racionalistas sufocaram a idéia Razão. A Razão extirpou da alma da civilização burguesa os resíduos de seus antigos mitos. O homem ocidental colocou, durante algum tempo, no retábulo dos deuses mortos a Razão e a Ciência. Entretanto, nem a Razão nem a Ciência podem ser um mito. Nem a Razão nem a Ciência podem satisfazer toda a necessidade de infinito que há no homem. A própria Razão encarregou-se de demonstrar aos homens que ela não lhes basta. Que unicamente o Mito possui a preciosa virtude de preencher seu eu profundo.
A Razão e a Ciência corroeram e destruíram o prestígio das antigas religiões. Eucken, em seu livro sobre o sentido e o valor da vida, explica de maneira clara e certeira o mecanismo deste trabalho destruidor. As criações da ciência deram ao homem uma sensação nova de sua potencia. O homem, antes intimidado diante do sobrenatural, descobriu logo um exorbitante poder para corrigir e retificar a Natureza. Esta sensação desalojou de sua alma as raízes da velha metafísica.
Mas o homem, como a filosofia o define, é um animal metafísico. Não se vive fecundamente sem uma concepção metafísica da vida. O mito move o homem na história. Sem um mito a existência do homem não tem nenhum sentido histórico. A história, fazem-na os homens possuídos e iluminados por uma crença superior, por uma esperança sobre-humana; os demais constituem o coro anônimo do drama. A crise da civilização burguesa mostrou-se evidente desde o instante em que esta civilização constatou a carência de um mito. Renan destacava melancolicamente, em tempos de orgulhoso positivismo, a decadência da religião e inquietava-se pelo futuro da civilização européia. "As pessoas religiosas escrevia vivem de uma sombra. Depois de nós, viver-se-á de quê?" A desolada interrogação aguarda ainda uma resposta.
A civilização burguesa caiu no ceticismo. A guerra parece ter reanimado os mitos da revolução liberal: a Liberdade, a Democracia, a Paz. Mas a burguesia aliada os sacrificou, em seguida, aos seus interesses e aos seus ressentimentos na Conferência de Versailles. O rejuvenescimento desses mitos serviu, entretanto, para que a revolução liberal se realizasse plenamente na Europa. Sua invocação condenou à morte os resquícios de feudalidade e de absolutismo que ainda sobrevivem na Europa Central, na Rússia e na Turquia. E, sobretudo, a guerra provou uma vez mais, de forma cabal e trágica, o valor do mito. Os povos responsáveis pela vitória foram os povos capazes de conceber um mito multitudinário.
 

II
 
O homem contemporâneo sente a peremptória necessidade de um mito. O ceticismo e infecundo e o homem não se conforma com a infecundidade. Uma exasperada e às vezes impotente "vontade de crer", tão aguda no homem pós-bélico, era já intensa e categórica no homem pré-bélico. Um poema de Henri Frank, A dança diante da arca, é o documento que tenho mais à mão a respeito do estado de ânimo da literatura dos últimos anos pré-bélicos. Neste poema lateja uma grande e profunda emoção. Por isto, sobretudo, quero citá-lo. Henri Frank nos diz da sua profunda "vontade de crer". Israelita, trata, primeiro, de reavivar na sua alma a fé no deus de Israel. A tentativa é vã. As palavras do Deus de seus pais soam estranhas nesta época. O poeta não as compreende. Declara-se surdo ao seu sentido. Homem moderno, o verbo do Sinai não pode captá-lo. A fé morta não e capaz de ressuscitar. Sobre ela pesam vinte séculos. “Israel morreu por haver dado um Deus ao mundo”. A voz do mundo moderno propõe seu mito fictício e precário: a Razão. Mas Henri Frank não pode aceitá-lo. “A Razão – diz – a razão não e o universo”.

 “La raison sans Dieu c'est la chambre sans lampe.”

O poeta parte em busca de Deus. Tem urgência em satisfazer sua sede de infinito e de eternidade. Mas a peregrinação é infrutífera. O peregrino queria contentar-se com a ilusão cotidiana. “Ah! sache franchement saisir de tout moment – la fuyante fumée et le suc éphemère”. Finalmente acredita que “a verdade é o entusiasmo sem esperança”. O homem traz sua verdade em si mesmo. 

“Si l'Arche est vide où tu pensais trouver la loi, rien n'est réel que ta danse.” 
III
 
Os filósofos nos trazem uma verdade análoga à dos poetas. A filosofia contemporânea varreu o medíocre edifício positivista. Esclareceu e demarcou os modestos limites da razão. Formulou as atuais teorias do Mito e da Ação. É inútil, segundo estas teorias, procurar uma verdade absoluta. A verdade de hoje não será a verdade de amanhã. Uma verdade e válida apenas para uma época. Contentemo-nos com uma verdade relativa.
Mas esta linguagem relativista não e acessível e não e inteligível para o vulgo. O vulgo não sutiliza tanto. O homem resiste em seguir uma verdade enquanto não a crê absoluta e suprema. É inútil recomendar-lhe a excelência da fé, do mito e da ação. É preciso propor-lhe uma fé, um mito e uma ação. Onde encontrar o mito capaz de reanimar espiritualmente a ordem que sucumbe?
A pergunta exaspera a anarquia intelectual, a anarquia espiritual da civilização burguesa. Algumas almas lutam por restaurar a Idade Média e o ideal católico. Outras trabalham por um retorno ao Renascimento e ao ideal clássico. O fascismo, através da boca de seus teóricos, atribui-se uma mentalidade medieval e católica; crê representar o espírito da Contra-Reforma, embora, por outra parte, pretenda encarnar a idéia da Nação, idéia tipicamente liberal. A teorização parece comprazer-se com a invenção dos mais apurados sofismas. Mas todas as tentativas de ressuscitar mitos passados estão destinadas ao fracasso. Cada época quer ter uma intuição própria do mundo. Nada mais estéril que pretender reanimar um mito extinto. Jean R. Bloch, num artigo publicado na revista Europe, escreve, a tal respeito, palavras de profunda verdade. Na catedral de Chartres ouviu a voz maravilhosamente crédula da longínqua Idade Média. Mas adverte quanto e como essa voz e estranha às preocupações desta época.
“Seria uma loucura – escreve – pensar que a mesma fé repetiria o mesmo milagre. Buscai ao vosso redor, em alguma parte, uma mística nova, ativa, suscetível de milagres, apta a encher de esperança aos desgraçados, a suscitar mártires e a transformar o mundo com promessas de bondade e de virtude. Quando a tiverdes encontrado, designado, nomeado, não sereis absolutamente o mesmo homem”.
Ortega y Gasset fala da “alma desencantada”. Romain Rolland fala da “alma encantada”. Qual dos dois tem razão? Ambas as almas coexistem. A “alma desencantada” de Ortega y Gasset é a alma da decadente civilização burguesa. A “alma encantada” de Romain Rolland é a alma dos forjadores da nova civilização. Ortega y Gasset vê apenas o acaso, o crepúsculo, der Untergang. Romain Rolland vê a aurora, a alvorada, der Aurgang. O que mais nítida e claramente diferencia, nesta época, a burguesia e o proletariado e o mito. A burguesia já não tem mito algum. Tornou-se incrédula, cética e niilista. O mito liberal renascentista envelheceu demasiadamente. O proletariado tem um mito: a revolução social. Em direção a esse mito move-se com uma fé veemente e ativa. A burguesia nega; o proletariado afirma. A inteligência burguesa entretém-se numa crítica racionalista do método, da teoria e da técnica dos revolucionários. Que incompreensão! A força dos revolucionários não está na sua ciência; está na sua fé, na sua paixão, na sua vontade. É uma força religiosa, mística, espiritual. É a força do Mito. A emoção revolucionária, como afirmei num artigo sobre Gandhi, e uma emoção religiosa. Os motivos religiosos deslocaram-se do céu para a terra. Não são divinos; são humanos, são sociais.
Há algum tempo que se constata o caráter religioso, místico e metafísico do socialismo. Georges Sorel, um dos mais altos representantes do pensamento francês do século XX, dizia em suas Reflexões sobre a violência:
“Encontrou-se uma analogia entre a religião e o socialismo revolucionário, que se propõe a preparação e ainda a reconstrução do indivíduo para uma obra gigantesca. Mas Bergson nos ensinou que não somente a religião pode ocupar a região do eu profundo; os mitos revolucionários podem também ocupá-la com o mesmo título”.

Renan, como o mesmo Sorel lembra, referia-se à fé religiosa dos socialistas, constatando sua inexpugnabilidade a todo desalento. 

“A cada experiência frustrada, recomeçam. Não encontraram a solução: a encontrarão. Jamais os assalta a idéia de que a solução não exista. Eis aí sua força”.

            A mesma filosofia que nos mostra a necessidade do mito e da fé, torna-se incapaz geralmente de compreender a fé e o mito dos novos tempos. "Miséria da filosofia", como dizia Marx. Os profissionais da Inteligência não encontrarão o caminho da fé; o encontrarão as multidões. Aos filósofos caberá, mais tarde, codificar o pensamento que brote da grande gesta multitudinária. Acaso souberam os filósofos da decadência romana compreender a linguagem do cristianismo? A filosofia da decadência burguesa não pode ter melhor destino.