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Quando Nietzsche chorou- Literatura comentada


Uma das obras mais famosas de Irvin D. Yalon, o livro Quando Nietzsche chorou é uma excelente opção de leitura, principalmente para os que gostam de filosofia. 



 O livro tem como personagens centrais o Dr Josef Breuer, médico e fisiologista austríaco que lançou as bases da psicanálise, Lou Salomé, Sigmund Freud e Friedrich Nietzsche que dispensam apresentações. Estes personagens, na narrativa fictícia elaborada por Irvin D. Yalon, vão animar o romance que narra o conturbado envolvimento amoroso de Nietszche com Lou Salomé, e o pedido desta última a Dr Breuer para que ajude-o a não concluir seus planos de suicídio, que poderão levar a cabo o futuro da filosofia alemã.

Quando Nietzsche chorou já se tornou um clássico (Que inclusive virou filme) onde Irvin explora o mundo da filosofia de uma forma muito peculiar; através da mistura de elementos reais e ficção. Além deste livro existe também A Cura de Schopenhauer e O Problema de Espinosa, este último lançado em 2012. Não posso dizer nada quanto aos dois últimos, pois ainda não os li, mas quanto a Quando Nietzsche Chorou posso afirmar com certeza que é um bom livro. Vale muito a pena ler!

Cabul no inverno - Literatura comentada




 
Se você é como eu e nutre um certo interesse por tudo que se relaciona ao oriente médio, deve saber o quanto os romances ambientados lá, em sua maioria, possuem um traço bastante característico que é a não obliteração da realidade, muitas vezes dramática e cruel. Ainda assim, nestes romances, essa realidade, embora dura é, algumas vezes, ligeiramente amenizada pelas belas narrativas que os tornam muito mais amenos.

  Desta forma, a primeira coisa que devo dizer é que Cabul no inverno não é um romance e portanto não tem nenhum compromisso com a suavização da realidade, pois como a própria sinopse diz, o livro é um relato de lembranças pungentes e poéticas do Afeganistão e de seu povo, que tenta encontrar a paz após décadas de guerra. E isso a autora o faz muito bem, transmite com clareza e eficiência sua experiência do tempo em que passou por lá. Apesar da sua nacionalidade, não há parcialidade em sua narrativa e em muitos trechos do livro é possível ler severas críticas a política do seu próprio país.

  Em resumo, Cabul no inverno é um livro que narra não apenas o panorama atual do Afeganistão, mas também as raízes histórias da cultura e da forma de pensamento local. É um excelente livro, principalmente por que informa e cita fontes, permitindo que o leitor possa verificar a confiabilidade do que foi escrito. Vale a pena ler.



Trecho:

No passado, praticamente a única coisa que fazia com que os pashtuns
interrompessem suas querelas incessantes era o aparecimento de um inimigo externo.
Nada inspira tanto a unidade pashtun quanto a necessidade de expulsar um invasor, e,
dada a política global dos últimos séculos, isso geralmente dizia respeito aos
britânicos. Os historiadores gostam de falar do moderno Afeganistão sob os xás
durranis como um “Estado-tampão fraco”, de pouca importância, exceto a de ser uma
terra-de-ninguém entre os principais contendores no jogo da política global — um
pouco como a carcaça mutilada do novilho que cavaleiros poderosos lutam por possuir
no esporte afegão do buzkashi. Ao norte, os czares russos cobiçavam a Ásia Central e,
para além dela, a Índia britânica. O Afeganistão estava no caminho. Os britânicos, que
haviam se estabelecido no subcontinente com a Companhia das Índias Orientais,
respondiam com uma “política de avanço” — um pouco parecido com o agressivo
“ataque preventivo” de George W. Bush — destinada a manter o Afeganistão atrelado
às decisões britânicas. Durante o século XIX, emissários, espiões, aventureiros e
soldados russos e britânicos dançaram para lá e para cá por décadas, naquilo que os
historiadores chamam de “O Grande Jogo” e foram eles, não os afegãos, que
estabeleceram as fronteiras do Afeganistão. Um emissário britânico dos primeiros
tempos observou que os afegãos nem tinham um nome para seu próprio país, mas, ao
final do século XIX, Amir Abdur Rahman começou a referir-se a ele como
“Yaghistan”, nome traduzido às vezes por “terra dos que são livres”, às vezes por terra dos rebeldes”.
De sua parte, os afegãos lutavam entre si pelo direito de suceder Ahmed Shah
Durrani, e os xás e cãs que o seguiram, cidade após cidade, neste setor, ou naquele.
Poucos foram tão eficientes quanto Zaman Shah, um dos netos de Ahmed Shah Durrani,
que conquistou o poder após a morte de seu pai em 1793, imediatamente dando ordens
de prender seus mais de 20 irmãos e de cegar o mais velho. Para a maioria dos
herdeiros potenciais, a batalha entre irmãos era mais confusa, mais sangrenta e mais
prolongada. O que os historiadores ocidentais chamam de “anarquia” prevalente no
Afeganistão; “anarquia” que algumas vezes “justificava” uma “política de avanço”,
era, sobretudo, pashtuns tribais sendo pashtuns.



Final de semana filosófico


Final de semana chegando e o Mural Filosófico não deixa você na mão, por isso elaboramos uma ótima lista com sugestões de filmes, livros e outras coisinhas para incrementar seus dias e massagear seu cérebro.
E então, pronto para mergulhar nesse oceano de possibilidades? Vamos lá então.

No Mural Filosófico:

Se você gosta de ASTRONOMIA, observação do céu e tudo que está relacionado ao UNIVERSO, então sugerimos que dê uma lida no nosso #Megaposte com as melhores matérias sobre o assunto (Clique aqui)

Agora, se você prefere saborear algo mais METAFÍSICO, então não pode deixar de conferir nossa Gaiola do espaço/tempo. (Clique aqui)

Há também postagens que vão te deslumbrar com FOTOGRAFIAS que são uma verdadeira obra de arte. (Clique aqui)


Na literatura: 

Elaborar uma pequena lista com sugestões de livros é sempre uma tortura, pois listas limitam e para a literatura não há limites. Com certo esforço para não apresentar uma lista infinita, sugerimos dois títulos (bem diferentes entre si) que poderão ser do seu interesse.

Neste ano de 2014, rememora-se o centenário da 1ª Guerra Mundial e nada mais apropriado que um relato bastante fiel da realidade das pessoas envolvidas na última e mais recente guerra presenciada pela sociedade, a chamada "guerra ao terror" travada pelos Estados Unidos. O livro é CABUL NO INVERNO, da jornalista americana Ann Jones, que dividido em três partes, aborda de forma crítica e consciente os problemas enfrentados pelo povo afegão.

Ou, você pode ainda se aventurar pelo mundo da poesia e começar pela nossa humilde sugestão de O PROFETA, de Khalil Gibran. Não é um livro muito grande, por isso há a possibilidade de terminá-lo ainda no final de semana.

Por fim, sugerimos QUANDO NIETZSCHE CHOROU, (Irvin D. Yalom) , que mistura história e ficção de forma eficaz, sem confundir o leitor.


No cinema: 

Você chegou até aqui e ainda deseja mais, não é? Tudo bem, vamos a nossa sugestão na sétima arte com o filme UM MÉTODO PERIGOSO, dirigido por David Cronenberg no ano de 2011. O filme segue uma linha semelhante ao livro de Irvin D. Yalom, mesclando ficção e realidade de forma agradável e interessante.



Enfim, se você gostou da nossa pequena lista, então não deixe de compartilhar e disseminar conteúdos realmente relevantes.
Caso você acredite que existem outros títulos que poderiam se juntar a estes, então não deixe de comentar.



Literatura Comentada- O Apanhador no Campo de Centeio


Certa vez li em algum lugar que o problema dos livros famosos e que você sempre espera demais deles. Eu diria diferente, diria que esse é o problema dos livros com nomes interessantes. Foi assim com 50 tons de cinza, (me desculpem os que gostam) o qual confesso que comecei a ler muito antes dessa onda de fãs e que acabei abandonando antes de completar a primeira dezena de páginas. 
Às vezes isso acontece comigo, não é muito frequente, acho que só abandonei uns quatro livros em toda a minha vida, mas o fato é que acontece.
Mas voltando ao problema dos nomes interessantes, foi exatamente isso que aconteceu com O Apanhador no Campo de Centeio de J.D. Salinger. Não é que o livro seja ruim, ao ponto de abandoná-lo tal qual fiz com 50 Tons de Cinza, mas não era exatamente o que o título me fez pensar que seria.
Pensando bem acho que preciso fazer uma leve correção no que eu disse no parágrafo anterior. Pra ser bem honesta, acho que não existem livros ruins. Acho que existem livros bons, livros espetaculares, livros legais e livros que parecem ter sido escritos para agradar um determinado numero de pessoas, mesmo que isso signifique apenas o autor.
O Apanhador no Campo de Centeio conta a historia de Holden, um garoto adolescente, que vive na década de cinquenta, mas parece ter os mesmos conflitos que todos os adolescentes de qualquer época. Não tem certeza quanto ao futuro e nem muito menos quanto a ele mesmo, mas tem o anseio de viver a sua própria vida. É um carinha legal, tem um certo bom senso e uma moral própria a ponto de se sentir extremamente incomodado com coisas que são ignoradas pela maioria das pessoas.
O Apanhador foi um livro que ouvi falar muito e todas as críticas que escutei foram boas. Ou seja, agradou muita gente. Não tiro nenhum deles da razão, o livro é legal sim, me agradou também, só que eu esperava um grand finale e ele infelizmente não veio. Culpa minha, que criei expectativas demais. 
E se você leu essa postagem até aqui e está pensando em desistir de ler, eu digo; Não faça isso! Vá em frente e leia, você irá gostar. Só não espere um final impactante, por que você não vai encontrar, mas enquanto durar a leitura você irá se gostar.
E se livro bom é livro que deixa saudades, então O Apanhador no Campo de Centeio é um ótimo livro. 




Atenção
As opiniões expostas acima são de responsabilidade do autor e não visam agradar, desagradar ou formar opinião. Leia-as e sinta-se no direito de concordar ou discordar, tendo sempre em vista a subjetividade de cada opinião. 

Literatura comentada- O que o livro Cidade do Sol e o filme A Cor do Paraíso tem em comum?



Algumas pessoas guardam a opinião de que a maioria dos filmes e livros escritos ou ambientados no oriente médio são baseados em histórias dramáticas, cheias de injúrias e violência. Todavia existem duas obras que apesar de retratar a dura realidade pra a qual não se pode fechar os olhos, também mostram um outro lado mais ameno, doce e esperançoso.

Literatura comentada - Contato






Esse foi o único livro de Carl Sagan que li até o momento. Se não me engano é um dos poucos romances do autor, o restante são apenas livros científicos. No início Contato é super empolgante, pois conta a história de uma cientista chamada Arroway que, apesar de se sentir um pouco deslocada por ser uma das poucas mulheres no meio científico, acaba sendo convidada para liderar uma pesquisa de inteligencia extraterrestre. Contudo, logo após a descoberta de uma espécie de código vindo através de ondas de radio da estrela mais próxima da terra, o livro cai em uma chatice só.

Apesar de inicio envolvente, aos poucos a narrativa vai ganhando contornos muito políticos e acaba deixando de lado a característica principal que havia no início; a capacidade reflexiva. Caso o leitor seja simpatizante desse tipo de leitura poderá gostar do livro, mas se por acaso deseja um livro que fale sobre a possibilidade de vida extra terrestre de forma mais leve e filosófica, não vai se sentir envolvido pela leitura.

Contato virou filme e embora eu ainda não tenha assistido, vi muitas críticas negativas. E pelo andar do livro da carruagem, não terei muita pressa para assistir. O autor é ninguém menos que Carl Sagan, cientista e astrônomo americano que recebeu 22 títulos honoris causa e outras inúmeras premiações relacionadas suas pesquisas científicas, além de ser autor da série Cosmos (que por sinal está sendo reexibida no NatGeo).