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No universo das possibilidades (E se não estou mais aqui?)



O texto que vos escrevo nas próximas linhas pode não conter uma essência que se assemelhe aos demais conteúdos que normalmente publico neste espaço, mas como levanta questões metafísicas interessantes a cerca daquilo que chamamos realidade, não me isentarei de publicá-lo.
Quem sabe, estas linhas que contém questionamentos tão particulares mas ao mesmo tempo tão coletivos, sirvam, pelo menos, ao propósito de mostrar a quem porventura também seja acometido por tais indagações, que não se encontram tão sozinhos assim.


A idiotização da música popular

A idiotização da música popular




De vez em quando, me pego pensando na crescente idiotização da música brasileira. Se é que assim posso chamar esse grande lote de composições com notável baixa qualidade. Mas, como carrego o nome sapiens na espécie da qual faço parte, não posso deixar de tecer considerações a cerca de tudo que vejo e percebo. E essa tendência não me passa despercebida.
Não que cada época não tenha produzido suas porcarias, mas parece que atualmente perdeu-se a vergonha de produzir e cultuar o lixo musical.  A maioria das músicas que vão para o topo das paradas são produções com refrões onomatopeicos e repetitivos, que perdem até para as composições mais infantis da primeira infância, quando a criança aprende a articular sons.
É um tal de "eu quero tchu, eu quero tcha!", "para fazer parapapá", "Ah lelek lek lek lek lek",  que tira o sossego mental de qualquer um. E como se não fosse ruim o suficiente, essas músicas vem acompanhadas de melodias criadas com o inegável intuito de lhe deixar com eternos e persistentes earworms.
Não posso dizer que isso ocorre de um modo geral, mas que acontece em níveis alarmantes isso acontece, me deixando extremamente perplexa em ver a grande quantidade de adultos da espécie homo sapiens que se comportam como se tivesse algum tipo de distúrbio cognitivo.
 A música parece estar deixando de ser uma massagem mental, algo que dá prazer em ouvir e sair por aí cantarolando, num exímio orgulho de mostrar aos outros que conhecemos bem a letra dessa e daquela música, e se tornando algo idiotizado que mais se parece um incômodo cacoete. E o que é pior de tudo; um cacoete contagioso.
#Oremos!

Estamos vendendo a nossa moral

Estamos vendendo a nossa moral


 Segundo a filosofia de São Tomas de Aquino, aquele que almejou provar a existência de Deus por meio dos conceitos Aristotélicos, somos dotados de uma consciência crítica que nos habilita a distinguir o justo do injusto, o bom do ruim, o lícito do ilícito, e etc. Isso significa que mesmo que nunca tenhamos lindo em algum lugar, a cerca de uma conduta ética, ainda assim, haverá dentro de cada um de nós uma "voz" a nos indicar o caminho correto. E essa voz chama-se moral.
 Apesar de fortemente influenciada pelo meio e o contexto social no qual o indivíduo encontra-se inserido, todos possuem uma razão que nos torna aptos a definição de homo sapiens. Mas o que tenho visto não condiz muito com essa máxima filosófica e, lançando mão de uma figura de linguagem usual, ousaria dizer que atualmente São Tomas de Aquino anda se revirando em seu túmulo.
 O que estou querendo dizer é que está cada vez mais perceptível o quanto as pessoas tem passado por cima da sua própria moral em detrimento do dinheiro. Atribuindo valores monetários a bens inestimáveis e transformando a sociedade em uma sociedade de mercado, onde praticamente tudo está a venda.
 Abrindo mão dos seus valores morais, as pessoas estão dando espaço para que o dinheiro invada e interfira em diversos setores de suas vidas, bem como sexo, amor, educação... transformando as relações interpessoais e até mesmo a forma como encaramos a fé. Para entender o que digo sobre esta última, basta  que o caro leitor observe a crescente mercantilização das questões relacionadas a fé, que embora já exista desde épocas mais remotas, tem crescido assustadoramente nos tempos atuais.
 Não se tem mais um conjunto de valores bem definidos, que norteiam o caráter e as ações das pessoas, basta que o dinheiro entre e tudo torna-se negociável. Trair, matar, roubar, mentir... tudo passa a ser válido. O que é muito triste, pois destrói a fé em nos mesmos, já que nós tornamos um monte de mercenários contemporâneos.
É fácil perceber que onde entra dinheiro, ocorre uma grotesca deturpação do real sentido das coisas, e embora compreenda perfeitamente a importância que ele possui na sociedade capitalista em que vivemos, penso que é mais saudável estabelecer limites bem claros para a sua atuação. Não podemos deixar que a economia de mercado se estenda tanto a ponto de tornar a sociedade uma sociedade de mercado. E embora essa expansão já venha acontecendo de forma bastante perceptível, ainda existe a possibilidade de refrear esse fenômeno nocivo. Para isso, porém, é necessária uma reformulação do pensamento moral, através da elevação dos valores, que será obtida com a ajuda da educação e do pensamento crítico, sendo portanto este mais um dos motivos que me levam a repetir a minha usual frase, Vamos pensar meu povo!

Por Jamile leidiane

Ode a Introspecção




Nunca foi tão difícil se voltar para dentro de si. O excesso de informações e distrações nos afastam cada vez mais de nós mesmos. Quantas e quantas vezes nos surpreendemos em demoradas buscas por respostas que seriam facilmente encontradas caso olhássemos para dentro de nós mesmos?
Estamos cada vez mais distantes, com nossas atenções voltadas para os mais variados processos externos, nos deixando levar pelo embotamento da nossa percepção quanto aos processos internos.  E muitas vezes nos surpreendemos tristes sem nem ao menos conhecermos os motivos para tal mudança de humor, reconhecendo apenas os efeitos e não as causas.
A causa disto é um outro fenômeno que, com certeza, o caro leitor ja deve ter percebido. Trata-se do gradual encolhimento do tempo. Com a nossa rotina cada vez mais corrida, é comum que o tempo encolha diante de tantas atribuições como trabalho, faculdade, família e etc. As 24h do dia passam num piscar de olhos , e em meio a tantas tarefas acabamos nos esquecendo de um gesto simples, porém essencial para a saúde psíquica; o mergulho para dentro de si mesmo.
Não sou psicóloga e não tenho autoridade para catalogar todos os fatores determinantes para o desenvolvimento das mazelas psíquicas  mas acredito que esta tendência ao esquecimento de si mesmo, seja um fator que contribui muito para o surgimento delas. E quando o falo é por experiência própria mesmo, pois já me vi em diversas situações onde o prolongamento de um problema simples foi causado pelo esquecimento de que a resposta precisaria vir de mim e não de fora.
Creio que a solução para este fenômeno nefasto, seja o simples hábito de reservar alguns momentos para que nos entreguemos as divagações mais profundas do nosso ser. E para tal não se faz necessários grandes sacrifícios, basta apenas que em lugar de vãs preocupações com relação a aspectos que dificilmente podemos alterar, como o atraso de uma pessoa, a possibilidade de chuva, uma decisão tomada e coisas do tipo, reservássemos esse tempo para deixar que a os pensamentos naveguem pelos labirintos da mente de forma livre e despretensiosa. Com isso estaremos iniciando um processo de autoconhecimento, que só é possível através da introspecção, possibilitando uma melhor desenvoltura no que tange os questionamentos que só podem ser respondidos por nós mesmos.

Por Jamile Leidiane

E lá se foi o tempo...

E lá se foi o tempo...





Meu Deus, como o tempo passou rápido! Ainda ontem era uma criança que, brincando em meu mundo introspectivo, vivia sem preocupações com absolutamente nada, a não ser qual seria a próxima brincadeira. Hoje, sou o espectro da angústia, pois carrego o mundo nas costas e não me permito ficar sem preocupações.
O que a vida fez com a gente? Ou melhor, o que nós mesmos estamos fazendo? Por que crescemos e passamos a acreditar que não nos é mais permitido ser livre, pois mesmo quando o somos, acreditamos que não devemos ser?
Assumimos responsabilidades, nos afundamos em trabalho, ocupamos nosso tempo e enchemos nossa mente com coisas que nem são tão urgente quanto acreditamos ser.
E o tempo vai passando... E a corrida continua em aceleração constante. Vamos vivendo, correndo, trabalhando, esquecendo, aprendendo, ignorando, criando, destruindo... na crença e descrença de todas as coisas. E o tempo vai passando...
E assim, chegamos ao último momento; o agora. E acordando do estado catatônico em que nos encontrávamos até então, olhamos para trás e vemos que lá se foi o tempo. Nos damos conta de que ele veio e não se demorou, e não fomos capazes de aproveitar cada momento que recebemos de presente deste velho sábio. Ignoramos a sua breve estadia, e voltando nossas atenções para preocupações banais, fazíamos "vista grossa" cada vez que ele, assim como o coelho de Alice, apontava para o relógio, numa tentativa desesperada de nos fazer acordar.
E como dizia Chaplin; Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre. E cada tic tac do relógio é um grão a menos na ampulheta do tempo. Quem somos nós? Somos uma fusão entre o aqui e o agora, um frêmito da eternidade, o microcosmo que, mesmo estando preso a um ego, encerra em si todo o segredo da criação, e que tem no agora tudo o que importa e tudo o que precisa, portanto não o desperdicemos com coisas frívolas e banais, pois um dia chegará o momento em que entenderemos que o tempo, nunca esteve nos relógios mas sim, dentro de cada um de nós.

Por Jamile Leidiane