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Documentário REQUIEM FOR THE AMERICAN DREAM


Requiem for the american dream

     Ativista político, filósofo e cientista cognitivo,Chosmky é reconhecido também pelo seu excelente trabalho como linguista, sendo reconhecido como o pai da linguística moderna. Mas sua atuação não se restringe ao campo da linguagem, estendendo-se à política também. Em REQUIEM FOR THE AMERICAN DREAM, em aproximadamente uma hora e quinze minutos, Chomsky faz duras críticas e profundas análises a cerca da concentração de riqueza e poder dentro da sociedade atual.
Quem ainda não assistiu, aconselho que assista. Disponibilizei aqui no Mural Filosófico, mas o mesmo também se encontra disponível no Netflix.

Morre Zygmunt Bauman, o criador do conceito de modernidade liquida.

Quem foi Zygmunt Bauman


Falecido na última Quarta-feira (9), em Leeds, na Inglaterra, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman deixa um legado de mais de cinquenta obras recheadas de pensamentos e novo conceitos a acerca de temas como consumismo, globalização e relações humanas.

Definido pelo jornal El País como um homem que falava devagar porque lapidava cada uma de suas frases, um fio de ideias que daria para mais livros do que assinou em sua prolífica carreira. Bauman nos presenteou com profundas análises sobre as transformações sofridas pela sociedade pós moderna, definindo o conceito de modernidade liquida.

Neste vídeo de um entrevista concedida por ele ao programa Milênio, do canal Globo News, o autor explica um pouco o conceito.



Boa parte das obras de Bauman foram traduzidas para o português, mas nem sempre é fácil encontrar seus livros para download.
Entretanto, para quem tem interesse em conhecer melhor o conceito de modernidade liquida, é possível ter acesso online ao livro aqui.

Abaixo, veja algumas das principais citações do autor.

“Numa sociedade sinóptica de viciados em comprar/assistir, os pobres não podem desviar os olhos; não há mais para onde olhar. Quanto maior a liberdade na tela e quanto mais sedutoras as tentações que emanam das vitrines, e mais profundo o sentido da realidade empobrecida, tanto mais irresistível se torna o desejo de experimentar, ainda que por um momento fugaz, o êxtase da escolha. Quanto mais escolha parecem ter os ricos, tanto mais a vida sem escolha parece insuportável para nós.”
(Do livro Modernidade Liquida)



“Na hierarquia herdada dos valores reconhecidos, a ‘síndrome consumista’ destronou a duração, promoveu a transitoriedade e colocou o valor da novidade acima do valor da permanência.”
                                                                                                                            (Do livro Vida Liquida)





"Em nosso mundo de furiosa individualização, os relacionamentos são bençãos ambíguas. Oscilam entre o sonho e o pesadelo, e não há como determinar quando um se transforma no outro. Na maior parte do tempo, esses dois avatares coabitam - embora em diferentes níveis de consciência. No líquido cenário da vida moderna, os relacionamentos talvez sejam os representantes mais comuns, agudos, perturbadores e profundamente sentidos da ambivalência."
                                                                                                                           (Do livro Vida Liquida)  

George Monbiot: Para mais maravilhas, retornem à vida selvagem



Um dia lobos foram nativos no Parque Nacional de Yellowstone nos Estados Unidos — até que a caça acabou com eles. Mas em 1995, quando os lobos começaram a voltar (graças a um programa de administração agressivo), algo interessante aconteceu: o resto do parque começou a encontrar um novo equilíbrio mais cheio de saúde. Em uma ousada experiência de pensamento, George Monbiot imagina um mundo mais selvagem onde seres humanos trabalham para restaurar as cadeias alimentares complexas perdidas que um dia estavam ao nosso redor.


Em uma excelente palestra oferecida via TED, o escritor, jornalista e ambientalista George Monbiot aborda uma temática pouco explorada e compreendida, mas plausível e digna de reflexão, principalmente em um mundo globalizado e industrializado que abriga atualmente mais de 7 bilhões de pessoas.
A maior prova de que suas ideias ousadas merecem no mínimo uma reflexão mais profunda está no aumento significativo dos casos de depressão (sugestão de leitura Depressão- O mal da modernidade), além da inegável insustentabilidade ambiental atual.

Veja, abaixo, a palestra completa (com legendas em português)


Sobre a morte e o morrer- Por Rubem Alves



Psicanalista, educador, teólogo e escritor, o brasileiro Rubem Alves nos traz este valoroso ensaio, onde a problemática da morte é abordada de um ponto de vista único e existencial. Rubem Alves morreu 11 anos após a publicação deste texto, mas suas obras continuam e com certeza continuarão ecoando pelos confins do tempo.





O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
um ser humano? O que e quem a define?


Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...

Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.

Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”

Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”

Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.

Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".

Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.

Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.

Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?

Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.

Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".

Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.

Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.




Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12-10-03. fls 3.

A moral é uma forma de melhoramento humano? Nietzsche responde

Retrato de Friedrich Nietzsche por E. Munch


As palavras abaixo pertencem ao livro Crepúsculo dos Ídolos de Nietzsche, neste trecho é possível ver a sua opinião com relação ao que ele chama de melhoramento da raça humana, a polidez que a sociedade (Igreja, estado, família...) constrói em cada indivíduo.

Em todos os tempos quis-se "melhorar" os homens: este anseio antes de tudo chamava-se moral. Mas sob a mesma palavra escondem-se todas as tendências mais diversas. Tanto a domesticação da besta humana quanto a criação de um determinado gênero de homem foi chamada "melhoramento": somente estes termos zoológicos expressam realidades. Realidades das quais com certeza o sacerdote, o típico "melhorador", nada sabe - nada quer saber... Chamar a domesticação de um animal seu "melhoramento" soa, para nós, quase como uma piada. Quem sabe o que acontece nos amestramentos em geral duvida de que a besta seja aí mesmo "melhorada". Ela é enfraquecida, tornam-na menos nociva, ela se transforma em uma besta doentia através do afeto depressivo do medo, através do sofrimento, através das chagas, através da fome. - Com os homens domesticados que os sacerdotes "melhoram" não se passa nada de diferente. Na baixa Idade Média, onde de fato a igreja era antes de tudo um amestramento, caçava-se por toda parte os mais belos exemplares das "bestas louras". "Melhoravam-se", por exemplo, os nobres alemães. Mas com o que se parecia em seguida um tal alemão "melhorado", seduzido para o interior do claustro? Com uma caricatura do homem, com um aborto. Ele tinha se tornado um "pecador", ele estava em uma jaula, tinham-no encarcerado entre puros conceitos apavorantes... Aí jazia ele, doente, miserável, malévolo para consigo mesmo; cheio de ódio contra os impulsos à vida, cheio de suspeita contra tudo que ainda era forte e venturoso. Resumindo, um "Cristão"... Fisiologicamente falando: o único meio de enfraquecer a besta em meio à luta contra ela pode ser adoecê-la. A igreja compreendeu isso: ela perverteu o homem, ela o tornou fraco, mas pretendeu tê-lo "melhorado"...


Nietzsche- Crepúsculo dos Ídolos 

Mundo percebido- Por Clóvis de Barros Filho


O mundo está cheio de tiranos, pessoas que fazem questão que todos concordem com eles. E exigem que todos vejamos a mesma coisa, do mesmo jeito e na mesma perspectiva.
Assim, de tirano em tirano, há guerras por perspectivas, guerras por percepção.







Conhece-te a ti mesmo






Conhece-te a ti mesmo, ó Linhagem Divina vestida com trajes mortais. Despe-te, eu te peço; separa o quanto puderes, e poderás o quanto te esforces. Separa, digo, a alma do corpo, a razão dos afetos dos sentidos. Verás logo – cessadas as brutalidades terrenas – um Puro Ouro, e, afastadas as nuvens, verás um Luminoso Ar. E, então, acredita-me: respeitarás a ti mesma como um Raio Eterno do Divino Sol.


Marsilio Ficino (1433 – 1499) 

SUNDAYS- Um curta intrigante e filosófico.


Dirigido por Mischa Rozema, o curta SUNDAYS é uma obra de arte conceitual que mistura filosofia e ficção científica de forma dramática e bela.
Estrelado pelo norte americano Brian Petsos e a mexicana Sofia Sisniega, SUNDAYS fala sobre um hipotético apocalipse, memórias de uma vida passada existencialismo, gnosticismo e uma dose de solipsismo.
Vale muito a pena conferir.

Sobre a Alegria e a Tristreza- Por Khalil Gibran


Sirin e Alkonos- os pássaros da alegria e da tristeza- Por Viktor Vasnetsov



A vossa alegria é a vossa tristeza mascarada. 
E o mesmo poço de onde sai o vosso riso esteve muitas vezes cheio de lágrimas.
 E como poderá ser de outra maneira? Quanto mais fundo a tristeza entrar no vosso ser, maior é a alegria que podereis conter. 
A taça que contém o vosso vinho não é a mesma que foi feita no forno do oleiro? 
E a lira que vos apanigua o espírito não é da mesma madeira com que foram esculpidas as facas? Quando estiverdes alegres, olhai bem dentro do vosso coração e descobrireis que só aquele que vos deu tristezas vos dá também alegrias. 
Quando estiverdes tristes, olhai novamente para dentro do vosso coração e vereis que na verdade estais a chorar por aquilo que foi a vossa alegria. 
Alguns de vós dizeis, "A alegria é maior que a tristeza" e outros dirão "Não, a tristeza é maior". 
Mas eu digo-vos que são inseparáveis. 
Juntas vêm, e, quando uma se senta junto de vós lembrai-vos que a outra está a dormir na vossa cama. 
Na verdade, estais suspensos como balanças entre a vossa tristeza e a vossa alegria. 
Só quando vos esvaziais ficais em equilíbrio e imóveis. 
Quando o guardador de tesouros vos erguer para pesar o seu ouro e a sua prata, nem a vossa alegria nem a vossa tristeza se devem alterar. 

(Trecho do livro O profeta, de Khalil Gibran)

Rumi- O mar é uma coisa, a espuma é outra










O mar é uma coisa, a espuma é outra;
Esquece a espuma e contempla o mar, noite e dia.
Tu olhas para a ondulação da espuma e não para o poderoso mar
Como barcos, somos jogados aqui e ali
Somos cegos, embora estejamos no brilhante oceano.
Ah! Tu que dormes no barco do corpo
Tu vês a água; contempla a Água das águas.
Sob a água que tu vês há outra água que a move
Dentro do espírito, há um espírito que o chama

(Rumi)



Platão- O mito da caverna

Caverna de Platão- Maria Tomaselli


    Imaginemos homens que vivam numa caverna cuja entrada se abre para a luz em toda a sua largura, com um amplo saguão de acesso. Imaginemos que esta caverna seja habitada, e seus habitantes tenham as pernas e o pescoço amarrados de tal modo que não possam mudar de posição e tenham de olhar apenas para o fundo da caverna, onde há uma parede. Imaginemos ainda que, bem em frente da entrada da caverna, exista um pequeno muro da altura de um homem e que, por trás desse muro, se movam homens carregando sobre os ombros estátuas trabalhadas em pedra e madeira, representando os mais diversos tipos de coisas. Imaginemos também que, por lá, no alto, brilhe o sol. Finalmente, imaginemos que a caverna produza ecos e que os homens que passam por trás do muro estejam falando de modo que suas vozes ecoem no fundo da caverna. 

Se fosse assim, certamente os habitantes da caverna nada poderiam ver além das sombras das pequenas estátuas projetadas no fundo da caverna e ouviriam apenas o eco das vozes. Entretanto, por nunca terem visto outra coisa, eles acreditariam que aquelas sombras, que eram cópias imperfeitas de objetos reais, eram a única e verdadeira realidade e que o eco das vozes seriam o som real das vozes emitidas pelas sombras.

Suponhamos, agora, que um daqueles habitantes consiga se soltar das correntes que o prendem. Com muita dificuldade e sentindo-se freqüentemente tonto, ele se voltaria para a luz e começaria a subir até a entrada da caverna. Com muita dificuldade e sentindo-se perdido, ele começaria a se habituar à nova visão com a qual se deparava. Habituando os olhos e os ouvidos, ele veria as estatuetas moverem-se por sobre o muro e, após formular inúmeras hipóteses, por fim compreenderia que elas possuem mais detalhes e são muito mais belas que as sombras que antes via na caverna, e que agora lhes parece algo irreal ou limitado.   

Suponhamos que alguém o traga para o outro lado do muro. Primeiramente ele ficaria ofuscado e amedrontado pelo excesso de luz; depois, habituando-se, veria as várias coisas em si mesmas; e, por último, veria a própria luz do sol refletida em todas as coisas. Compreenderia, então, que estas e somente estas coisas seriam a realidade e que o sol seria a causa de todas as outras coisas. Mas ele se entristeceria se seus companheiros da caverna ficassem ainda em sua obscura ignorância acerca das causas últimas das coisas. Assim, ele, por amor, voltaria à caverna a fim de libertar seus irmãos do julgo da ignorância e dos grilhões que os prendiam. Mas, quando volta, ele é recebido como um louco que não reconhece ou não mais se adapta à realidade que eles pensam ser a verdadeira: a realidade das sombras. E, então, eles o desprezariam....


Trecho de A República

Como é por dentro outra pessoa?

O retrato de Fernando Pessoa- Por Almada Negreiros


Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento. 

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.


Fernando Pessoa

Copa 2014- Os principais filósofos de alguns países participantes



Em tempos de copa do mundo nada mais legal que conhecer as particularidades dos países participantes. E para começar, nada mais justo que, além da bandeira e a cor do uniforme, você conheça também os principais nomes da filosofia de cada país.



ALEMANHA
País de grande importância filosófica, pois depois da Grécia, foi o país com maior participação na filosofia.
Capital: Berlim
Lingua Oficial: Alemão
Destaques Filosóficos: São tantos... Imanuel Kant, Leibniz, Schopenhauer, Karl Marx, Friedrich Nietzsche e muitos outros


ARGENTINA
O segundo maior país da América do sul em território, e terceiro em população.
Capital: Buenos Aires
Língua Oficial: Espanhol
Destaque Filosófico: Eliseo Verón, filósofo, sociólogo e especialista na área da semiótica. Publicou

ARGÉLIA
País árabe, tem uma parte (ao sul do país) constituída pelo deserto do Saara.
Capital: Argel
Linguas Oficiais: Árabe e Francês
Destaque Filosófico: Agostinho de Hipona, mais popularmente conhecido como Santo Agostinho. Bispo católico, teólogo, escritor e filósofo, foi uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo ocidental.

AUSTRÁLIA
País que abrange toda a extensão territorial do continente da Oceania, tem seu nome proveniente do latim australis, que significa "austral".
Capital: Sydney
Lingua Oficial: Inglês
Destaques Filosóficos: David Malet Armstrong e David John Chalmers, ambos vivos e conhecidos pelos seus trabalhos em filosofia da mente.

BÉLGICA
País de muitas subdivisões políticas, linguísticas, culturais, mas forte união econômica.
Capital: Bruxelas
Linguas Oficiais: Flamengo, francês e alemão.
Destaques Filosóficos: Michel Weber, especialista em filosofia do processo.


BRASIL
Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve!
Capital: Brasília
Língua Oficial: Português
Destaques Filosóficos: Marilena Chauí, Paulo Freire, Olavo de Carvalho, Viviane Mosé e outros...
CHILE
País com um território singular (cerca de 4 300 quilômetros de comprimento e, em média, 175 quilômetros de largura) que lhe confere uma forma longilínea e muitas particularidades climáticas.
Capítal: Santiago
Lingua Oficial: Espanhol
Destaque Filosófico: Fransciso Varela, filósofo e Ph D. em biologia. Escreveu diversos artigos e obras sobre sistemas vivos e cognição: autonomia e modelos lógicos


CROÁCIA
País que, assim como o Chile, também possui uma singularidade em sua geografia; seu território possuí a forma de uma ferradura, o que lhe permite fazer fronteira com diversos países como, a Eslovênia, Hungria, Sérvia, Montenegro e Bósnia.
Capital: Zagreb
Lingua Oficial: Crotata
Destaques Filosóficos: Ruđer Bošković físico, astrônomo e filófoso e Patrizzi


ESPANHA
País situado na península ibérica, foi uma dos participantes no processo de colonização do Brasil.
Capital: Madrid
Lingua Oficial: Espanhol
Destaques Filosóficos: Gabriel Vásquez, grande influenciado pela filosofia agostiniana. E Xavier Zubiri, cuja pesquisa e reflexão se concentrou, fundamentalmente, nos campos da Teoria do Conhecimento, da Ontologia e da Gnoseologia.


ESTADOS UNIDOS
País composto por cinquenta estados e uma capital, fundados pelas treze colônias do Império Britânico.
Capital: Washington
Lingua Oficial: Inglês
Destaques Filosóficos: Jacob Needleman e a filósofa feminista Jane Addams (entre outros)

FRANÇA
País com o terceiro maior orçamento militar do mundo e membro permanente do conselho de segurança da ONU.
Capítal: Paris
Lingua Oficial: Francês
Destaques Filosóficos: São tantos... Descartes, Simone de Beauvoir, Albert Camus, Michel Foucault, Claude Lévi-Strauss, Jules Michelet, Jean-Jacques Rousseau e outros


GRÉCIA
País precursor da filosofia. Simples assim!
Capital: Atenas
Lingua Oficial: Grego
Destaques Filosóficos: A lista é bem extensa, mas vamos aos principais... Tales de Mileto, Demócrito, Platão, Sócrates, Artistóteles e muitos outros.


IRÃ
Conhecida, anteriormente, como Pérsia.Capital:
Lingua Oficial:
Destaques Oficiais: Abu Sulayman al-Sijistani, Al-Farabi, cujo trabalho mais conhecido é Siwan al-hikma (Vaso de sabedoria), uma história da filosofia do começo de seu próprio tempo. E outros...



Gostou? Então não perca! Em breve publicaremos a próxima lista com os demais países participantes. 

A resistência - Por Anaxágoras

Anaxágoras- Por Giovanni Battista Tiepolo


"Medimos a grandeza de uma ideia pela resistência que ela provoca." (Anaxagoras 500 - 428 a.C)

E foi por isso que a sua ideia de que o não ser não pode existir e que a substância do ser é imutável, de que o nascer e o morrer não são acontecimentos reais, de que nada nasce ou morre, mas que são coisas que existem se decompõem e se compõem novamente, de que as coisas que morrem estão se decompondo e as coisas que nascem estão se recompondo, recebeu tanta resistência a ponto de condená-lo a morte. 



Isso por que muitos preferem se manter Na confortável penumbra da ignorância.

Ah, se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes.

Diógenes e Alexandre- Por Nicolas-André Monsiau


"Procuro um homem honesto!" Bradava ironicamente pelas ruas...
Era assim que Diógenes (413 - 323 a.C), carregando sua lanterna e seus trapos, acompanhado dos cães e do ideal cínico, vivia pelas ruas.
Buscava um homem que vivesse segundo a sua essência. Procurava um homem que vivesse sua vida superando as exterioridades exigidas pelas convenções sociais como comportamento, dinheiro, luxo ou conforto. Ele buscava um homem que tivesse encontrado a sua verdadeira natureza, que vivesse conforme ela e que fosse feliz.
Diógenes em seu barril- Por Jean-Léon Gérôme
Por que os cães? Ora, não são os cães os grandes companheiros do loucos e mendicantes? Não apenas isso.
Para Diógenes nossas reais necessidades aquelas que nos impõe a nossa condição animal, como nos alimentar por exemplo.Tal qual os cães que também não possuem objetivos para viver, não precisam responder pelos seus atos para a sociedade, não precisam de casa ou conforto. É nas necessidades básicas dos animais que o homem deve se espelhar para conduzir sua vida.
Se concordo com isso? Não, isso não vem ao caso por hora, o que importa entretanto é a moral da história.
Em seu encontro com Alexandre O Grande, o mesmo perguntou a Diógenes o que poderia fazer por ele. Dada as condições do encontro e a filosofia do cínico eis que veio a resposta:
"Não me tires o que não me podes dar! Deixa-me ao Sol." Disse Diógenes que encontrava-se ao chão sob a sombra de Alexandre.
"Ah, se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes." 


Ainda sobre filosofia...

Da perceção- Fragmento do livro O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder




Certa manhã, o pai, a mãe e o pequeno Tomás, que tem dois ou três anos, estão
sentados na cozinha durante o café-da-manhã. De repente, a mãe levanta-se e vira-se para o
lava-louça: nesse preciso momento, o pai começa a voar em direção ao teto, enquanto
Tomás observa.
O que te parece que Tomás diz? Provavelmente, aponta para o pai e diz: - O pai
voa!
Certamente que Tomás ficaria admirado. Mas o pai faz coisas tão estranhas que
um pequeno vôo acima da mesa já não tem importância aos seus olhos. Todos os dias faz a
barba com uma máquina engraçada, por vezes sobe ao telhado para orientar a antena da
televisão - ou enfia a cabeça junto ao motor do carro e aparece depois todo negro.
Depois, é a vez da mãe.
Ela ouviu o que Tomás disse e volta-se rapidamente. Como achas que reagirá
vendo o marido a esvoaçar sobre a mesa da cozinha?
O frasco da marmelada cai-lhe imediatamente da mão, começará a gritar de medo.
Talvez tenha de ir ao médico, mesmo depois de o pai se ter sentado de novo na
cadeira. (Ele já devia ter aprendido há muito tempo como se comportar à mesa!).
Porque é que Tomás e a mãe reagem de forma tão diferente? É uma questão de
hábito.
A mãe aprendeu que os homens não podem voar. Tomás não.
Ainda não distingue o que é possível do que não é.
Mas o que dizer do mundo, Sofia? Achas que o mundo é possível? O mundo também está
suspenso no espaço.

Na gaiola do espaço-tempo- Dois excelentes textos filosóficos para o final de semana




De vez em quando encontramos alguns textos que parecem nos transportar para uma realidade diferente, geralmente são textos que nos remetem a grande necessidade de uma reflexão mais profunda, mais filosófica e normalmente transformadora. Afinal, após sua leitura, não há como se afirmar ser ainda o mesmo de outrora.

O primeiro texto, publicado em Outubro de 2011 no site Dharmalog, é O que acontece quando morremos? O tempo simplesmente reinicia. Uma tradução do texto original What Happens When You Die? Evidence Suggests Time Simply Reboots, do biocientista americano Robert Lanza


“O mistério da vida e da morte não pode ser examinado visitando Galápagos ou olhando em um microscópio. É mais profundo. Se você remover tudo do espaço, o que sobra? Nada. A mesma coisa se aplica ao tempo – você não pode colocá-lo numa jarra. Você não pode ver através do osso que envolve seu cérebro (tudo que experimentamos é informação em nossa mente). O Biocentrismo nos diz que o espaço e o tempo não são objetos – são as ferramentas da mente para fazer tudo acontecer."(CONTINUE LENDO...)

O segundo texto, publicado recentemente no blog parceiro Intratesta, recebe o título de A Fuga de Adão. De autoria do próprio blog, o texto traz em sua estrutura citações de Nietzsche e um diálogo cheio de simbolismo entre o homem e um demônio. Veja um trecho:

"O Homem tentando fugir de seu passado selvagem, se escondendo da natureza em gigantescas construções de concreto, cobrindo-se com malhas e tecidos para esconder a vergonha que apenas se tornou vergonha por seu próprio delírio. Subjugando animais mais fracos para que possam se sentir grandiosos, mas mesmo assim JAMAIS existiu um só homem que criasse algo e/ou vivesse de uma forma que não a natural de sua espécie. Tudo é natural."(CONTINUE LENDO...)

O que os textos trazem em comum? Suponho que uma boa leitura dos mesmos deixará bem clara a resposta. A linguagem filosófica, porém clara e objetiva, torna a profundidade dos textos compreensível e a leitura extremamente válida. Não deixem de ler.

Da morte e das coisas que ela traz - Fragmento da Carta sobre a felicidade, de Epícuro



Acostuma-te à ideia de que a morte para nós não é nada, visto que todo o bem e todo o mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações. A consciência clara de que a morte não significa nada para nós proporciona a fruição da vida efêmera, sem querer acrescentar-lhe tempo infinito e eliminando o desejo de imortalidade. 

Não existe nada de terrível na vida para quem está perfeitamente convencido de que não há nada de terrível em deixar de viver. É tolo portanto quem diz ter medo da morte, não porque a chegada desta lhe trará sofrimento, mas porque o aflige a própria espera: aquilo que não nos perturba quando presente não deveria afligir-nos enquanto está sendo esperado. 

Então, o mais terrível de todos os males, a morte, não significa nada para nós, justamente porque, quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos. A morte, portanto, não é nada, nem para os vivos, nem para os mortos, já que para aquele ela não existe, ao passo que estes não estão mais aqui. E, no entanto, a maioria das pessoas ora foge da morte como se fosse o maior dos males, ora a deseja como descanso dos males da vida. 

O sábio, porém, nem desdenha viver, nem teme deixar de viver; viver não é um fardo e não-viver não é um mal.


Carta sobre a felicidade- Epícuro